25 de junho de 2022
Brasil

Entidades ligadas à rede federal de ensino querem discutir cortes com Guedes

Jerônimo Rodrigues, reitor do IFG (foto Divulgação)
Jerônimo Rodrigues, reitor do IFG (foto Divulgação)

As instituições federais de educação superior preparam uma reação ao decreto Nº 9.725, que extingue mais de 21 mil cargos em órgãos federais de ensino. Em Goiás as mais afetadas são as universidades federais de Catalão e de Jataí, que tiveram todas as funções gratificadas extintas. São cargos efetivos que não terão mais a bonificação pelo exercício da função, como por exemplo, coordenador de curso, cuja gratificação é de apenas R$ 700,00, valor que fará falta no orçamento de cada servidor.

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A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior – Andifes, deve encaminhar pedido de audiência com o ministro Paulo Guedes, para mostrar os prejuízos que o decreto representa para continuidade do trabalho destas instituições. Um exemplo é o tradicional Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, que está perdendo 22% das funções gratificadas, o que corresponde a praticamente todos os coordenadores de cursos.

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A avaliação de dirigentes é que o enxugamento proposto no decreto Nº 9.725 foi feito de forma unilateral pela equipe econômica sem sequer ouvir o MEC (Ministério da Educação), ou os reitores das universidades federais e dos institutos federais.

Reitor do Instituto Federal de Goiás, Jerônimo Rodrigues da Silva ressalta que as instituições federais de ensino participam do programa de combate à violência.do governo federal – lançado nesta semana em Goiânia. Ele também é presidente do CONIF (Conselho de Reitores das Instituições Federais.

Rodrigues conta que está a cargo dos campus do IFG realizar em cinco cidades as pesquisas necessárias à implantação em Goiás do Plano Nacional de Enfrentamento dos Crimes Violentos, que faz parte do Sistema Nacional de Estratégia de Segurança Pública (Sinesp). “A precarização da rede federal de ensino traz prejuízos à sociedade e também ao governo”, aponta.

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Em nota no site da entidade, o secretário nacional do Forgepe (Fórum Nacional de Pró-Reitores de Gestão de Pessoas das IFES ), Everton Silveira, salienta que ” todo investimento nas universidades federais possui o fator multiplicador. Toda universidade é naturalmente um elemento fomentador e catalizador de outros investimentos, com perspectiva do crescimento econômico, o que nos leva a pensar em educação como um dos melhores formatos de investimento público”, frisa.

Sensibilização

Coordenadora geral do SINDIFES-MG (Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino), Neide Dantas,quer sensibilizar os deputados federais para os prejuízos à educação superior, com a politica de cortes deflagrada pela equipe econômica do federal.

“Estamos sendo ameaçados e atacados desde o governo Temer. São projetos de leis que retiram a autonomia universitária, congelamentos salariais, cortes orçamentários, escola sem partido, intervenção nos sindicatos. Precisamos fortalecer redes de enfrentamentos para mudarmos a conjuntura”, comentou no site oficial da entidade.

Coordenador, do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Gestão de Pessoas das IFES (Forgepe), Maurício Viegas da Silva (UFRGS), também manifestou preocupação com os rumos do Ensino Superior no Brasil. “Eu não consigo imaginar um País do tamanho do nosso sem as Universidades Federais. Nosso sistema está distribuído em todo o Brasil, gerando crescimento em todas as regiões. Muito além da gestão de pessoas, trabalhamos com produção de conhecimento, maciçamente, com programas de pós-graduação alcançando conceitos 6 e 7 na CAPES. É na universidade que está a produção de conhecimento, de extensão, de inovação e internacionalização e tudo isso possibilita o crescimento social e econômico no País”, conclui.