A empresa Ouro Verde solicitou à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) autorização para o encerramento definitivo das atividades do lixão Ouro Verde, localizado em Padre Bernardo, após uma série de desmoronamentos de resíduos registrados no local em 2025. O pedido inclui a manutenção das obrigações de recuperação ambiental da área.
Embora a solicitação tenha sido formalizada recentemente, o lixão não recebe resíduos desde o dia 19 de junho de 2025, um dia após o primeiro desmoronamento de lixo ocorrido no local. Até então, o entendimento era de que antes de discutir o encerramento definitivo seria necessário concluir a fase de gestão emergencial dos danos provocados pelo desastre ambiental.
Para que o processo possa avançar, a Semad notificou a empresa para apresentar um Plano de Descomissionamento e Encerramento das Atividades com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), documento que define os responsáveis técnicos e legais pelas ações previstas.
O plano deverá conter, entre outros pontos, diagnóstico ambiental atualizado da área, medidas emergenciais já adotadas, ações de contenção e remoção de resíduos sólidos, destinação ambientalmente adequada do chorume que atingiu o curso d’água, plano de remediação das áreas impactadas e um programa de monitoramento ambiental do solo e das águas superficiais e subterrâneas. Também será necessário apresentar um cronograma detalhado de execução das medidas.
Situação atual do lixão
Passados quase nove meses desde o primeiro deslizamento, técnicos da Semad continuam realizando visitas semanais ao lixão. Apesar de o período chuvoso aumentar o risco de novas ocorrências, o órgão avalia que o local está sendo administrado de forma adequada dentro das circunstâncias.
Um dos principais pontos de atenção nos últimos meses foi o risco de extravasamento das lagoas de chorume, que é um líquido altamente poluente gerado pela decomposição dos resíduos. As cinco lagoas existentes à época do primeiro desmoronamento já estavam próximas da capacidade máxima de armazenamento.
Diante da situação, a Semad determinou a construção de uma sexta lagoa, que foi instalada e cercada. Atualmente, as lagoas 2 e 4 operam com volume inferior a 50% da capacidade. A lagoa 3 também está abaixo desse nível, mas permanece fora de operação devido à necessidade de manutenção solicitada pelo órgão ambiental. Já a lagoa 5 continua com nível elevado, próximo do limite máximo.
Segundo a secretaria, indícios de extravasamento observados anteriormente na caixa coletora de chorume foram corrigidos, assim como processos erosivos identificados na área.
Três deslizamentos registrados
O lixão Ouro Verde registrou três episódios de desmoronamento de resíduos. O primeiro ocorreu em 18 de junho de 2025, seguido por outros dois nos dias 11 e 25 de novembro do mesmo ano. No primeiro e no terceiro casos, parte do lixo deslizou até uma grota por onde passa o leito do Córrego Santa Bárbara, aumentando as preocupações ambientais e levando à adoção de medidas emergenciais.
Na última vistoria realizada pela Semad, os fiscais constataram que os resíduos que haviam deslizado foram removidos com o auxílio de duas escavadeiras hidráulicas e caminhões. O material recolhido foi encaminhado para uma nova célula do aterro. Durante a inspeção, também foi observada a presença de catadores retirando materiais recicláveis dentro da Área de Preservação Permanente (APP) próxima ao córrego.
Uso da água segue proibido
Desde 19 de junho de 2025, permanece em vigor uma portaria assinada pela secretária Andréa Vulcanis que proíbe o uso da água do córrego Santa Bárbara pela população. Antes do acidente, a água era utilizada principalmente para irrigação de plantações e dessedentação de animais em propriedades da região. Enquanto a restrição estiver vigente, a empresa Ouro Verde se comprometeu a fornecer água aos moradores afetados.
A Semad continua exigindo da empresa estudos sobre a presença de metais pesados e outras substâncias contaminantes no córrego, além de realizar análises em laboratório próprio. Até o momento, a secretaria mantém o entendimento de que não é seguro suspender a portaria. Segundo o órgão, o período de chuvas ainda pode transportar resíduos que permanecem no solo e provocar nova contaminação do leito do córrego.
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