O governador Ronaldo Caiado (UB) aceitou um convite estratégico do governo dos Estados Unidos e participa de evento nesta quarta-feira (4) com foco em minerais críticos, recurso que, em Goiás, envolve especialmente jazidas das cobiçadas terras raras. Não à toa, o convite partiu do secretário de Estado americano, Marco Rubio. Em busca de se fortalecer politicamente, Caiado se destaca com a viagem pela imponência do evento, em Washington (DC).
A agenda oficial indica uma reunião ministerial internacional sobre minerais críticos e elementos de terras raras, reunindo representantes de cerca de 20 países, incluindo integrantes do G7. A intenção é formar uma aliança em torno das cadeias globais desses insumos estratégicos que os EUA buscam dominar.
De acordo com o governo, delegações da União Europeia, Austrália, Reino Unido e Canadá também fazem parte. “A agenda trata de políticas públicas, investimentos e parcerias no setor mineral, com foco em recursos essenciais à transição energética, à indústria de alta tecnologia e à inovação”, divulgou a assessoria de Ronaldo Caiado.
Entre os temas debatidos estão a proposta de garantia de preços mínimos para minerais críticos e terras raras e medidas para diversificar fornecedores no mercado global, dominado pelos chineses.
Por outro lado, o evento dessa quarta antecede um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump nos EUA, previsto para março, em que os minerais críticos deverão estar na pauta principal. O Brasil é um dos mercados visados na disputa mundial pelos minérios críticos e Goiás se destaca nele.
Atualmente, a única mina de terras raras em operação no Brasil está localizada em Minaçu, no norte goiano, sob responsabilidade da Serra Verde Pesquisa e Mineração. A mineradora produz, em escala industrial, elementos considerados críticos, como neodímio, praseodímio, térbio e disprósio.
E o Governo de Goiás atua para ampliar e estruturar a cadeia produtiva do setor, com projetos em diferentes estágios de pesquisa e implantação, como os desenvolvidos pela Aclara Resources, em Nova Roma, e pela canadense Appia, em Iporá.
Cenário: 25% das terras raras do Brasil estão em Goiás
Goiás ocupa posição de destaque na mineração de terras raras no Brasil. O estado concentra cerca de 25% das reservas conhecidas no país, que detém a terceira maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China e do Vietnã. Com diversidade geológica e elevado potencial produtivo, Goiás vem se consolidando como uma das principais fronteiras nacionais da mineração de minerais estratégicos.
Os minerais críticos são matérias-primas essenciais para cadeias produtivas estratégicas e apresentam riscos de escassez ou de concentração de oferta. Esses insumos são amplamente utilizados em tecnologias de ponta, como veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas avançados de armazenamento de energia, o que amplia sua relevância econômica e geopolítica.
Relações internacionais
Atualmente o governo estadual busca ampliar relações internacionais, atrair investimentos e fortalecer a atuação de Goiás em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico, com foco na geração de emprego qualificado, inovação e sustentabilidade.
A presença de Goiás na reunião ocorre em um contexto de fortalecimento da estrutura institucional do estado para o setor mineral. Em 2025, foi sancionada a lei que criou a Autoridade Estadual de Minerais Críticos (Amic) e o Fundo Estadual de Desenvolvimento dos Minerais Críticos (FEDMC), voltados à formulação de políticas públicas para pesquisa, exploração, industrialização, logística e comercialização de minerais estratégicos, como terras raras, nióbio, níquel, cobre, titânio e fosfato.
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