27 de junho de 2022
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Em Minas, Caetano Veloso defende liberdade de expressão de artistas

Caetano Veloso defendeu a liberdade artística e criticou o que chamou de “ameaça de situação opressiva”, neste domingo (8), antes de uma apresentação em Belo Horizonte.

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Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, o cantor colocou um trecho de uma entrevista coletiva da qual participou na capital mineira, dizendo que pessoas compram a ideia da defesa dos bons costumes, mas estão, na verdade, defendendo a censura.

“Algumas pessoas podem estar enganadas, pensando que estão defendendo os bons costumes e a segurança da família, mas na verdade isso é um esboço de opressão. Se as pessoas aderirem a isso, então a gente uma ameaça de situação opressiva, e as pessoas vão ficar limitadas”, disse o artista.

“Eu vivi o período da ditadura e não quero nada parecido com isso”, declarou.

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A entrevista de Caetano aconteceu no Palácio das Artes, mesmo lugar onde o artista Pedro Moraleida foi criticado pela exposição “Faça Você Mesmo Sua Capela Sistina”, no qual as obras relacionam símbolos religiosos e sexo.

De acordo com o site “G1”, o cantor visitou a exposição de Moraleida e afirmou que as obras não diferem da arte feita no país ao longo dos anos. “Não há nada aqui que já não tenha sido feito na história da arte. Faz pensar em Basquiat, faz pensar em Hélio Oiticica na parte conteudística do trabalho dele, faz pensar no que vem acontecendo na arte desde o século 20”, disse.

Caetano estava acompanhado da mulher, Paula Lavigne. Os dois fazem parte, junto com diversos outros artistas, do projeto 342 Artes -lançado neste domingo- que quer combater a censura e a difamação da classe artística.

Em um vídeo postado na página do projeto nas redes sociais, artistas como Malu Mader, Vik Muniz, Adriana Varejão e Teresa Cristina aparecem apoiando a iniciativa. “São muitas as vozes que nao irão se calar. Não aceitaremos censura nem difamação”, diz a publicação.

Em outro vídeo, publicado pela iniciativa no sábado (7), Fernanda Montenegro chama políticos para defenderem a liberdade cultural.

“Tudo é cultura, inclusive a de repressão. Mas só há um tipo de cultura que constrói um país: a da liberdade. A cultura liberta cria a alma de uma nação, e essa nossa luta de sobrevivência cultural, peço aos poucos bons políticos que existem que se posicionem. Saiam, por favor, desse silêncio acovardado. Porque, do contrário, nem a pele desses políticos, que poderão estar ao nosso lado pela liberdade dentro desse país, vai se salvar”, afirmou a atriz.

As polêmicas começaram quando o Queermuseu, que teve sua exposição cancelada no Rio Grande do Sul após ser acusado de incentivar a pedofilia, e do MAM, em São Paulo, criticado após um ator nu interagir com espectadores de uma peça, incluindo uma criança.

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