Num trabalho de uma semana, 39 árvores adultas de espécies como Angico Vermelho, Jatobá, Ypê Branco e Pau-ferro estão “mudando de endereço” em Anápolis. Tecnicamente, estão sendo transplantadas, ou seja, estão sendo removidas de um local e replantadas em outro, preservando sua estrutura e saúde.
A maioria das espécies está sendo levada para uma área de preservação permanente (APP) no bairro Jundiaí, próxima onde será erguido um empreendimento comercial. Uma das 39 árvores, um jatobá, foi transplantado para o parque Jaiara, que está sendo revitalizado pela prefeitura.
Nove profissionais estão diretamente envolvidos com a operação, que ainda precisa de um guindaste de 70 toneladas, um caminhão muck, uma escavadeira e uma retro-escavadeira. O processo é inédita na cidade e foi concluído na sexta-feira (26).
“É uma operação bastante complexa, porque além do peso, da altura das árvores, há todo um protocolo para a retirada das espécies de moda a evitar ao máximo o estresse da planta. Para se ter uma ideia, para a retirada e o transporte de cada árvore para o local de seu novo habitat leva-se, em média, duas horas horas cada uma”, explica o engenheiro civil Cláudio Rodrigo, à frente do trabalho.
Antes da retirada e transporte das árvores, o engenheiro explica que outras duas etapas de preparação para o transplante foram realizadas desde o mês de abril. “A primeira fase é a da poda de alguns galhos, para diminuir a carga. Depois, temos a segunda etapa que chamamos de sangria das raízes, que consiste em escavar em volta da árvore, num raio de mais ou menos 1,80m e depois passamos à volta das raízes expostas um plástico filme, para a árvores não perder aquele adubo natural da terra”, explica o engenheiro.
O objetivo principal deste cuidado prévio visou manter as condições de saúde das espécies. “Desde a fase em que fizemos a poda, passando pela segunda fase quando fazemos a sangria das raízes, todos os dias jogamos água nelas. Inclusive designamos um funcionário só para este trabalho”, destaca.
Cláudio esclarece que para fazer o replantio das árvores há outro cuidado muito importante. “Nós replantamos as árvores no sentido do sol nascente, porque ela já está acostumada com o sol nascer naquela posição. Então, identificamos qual era essa posição e marcamos certinho os locais onde cada uma será replantada”, explica o engenheiro responsável pela coordenação dos trabalhos.
O engenheiro explica que as árvores serão replantadas na área de preservação que está dentro do próprio terreno do Complexo Franciscano, a 30 metros da margem de um córrego que corta o espaço de preservação. “O fato de serem replantadas próximo ao córrego é muito positivo, pois é uma região bem aflorada. Sem falar que é o mesmo solo com o qual elas estão acostumadas”, esclarece o engenheiro.
Após serem replantadas, as 39 árvores seguirão sendo acompanhadas por mais dois meses, sendo irrigadas diariamente. “Neste período, vamos continuar regando as espécies, apesar do terreno ser aflorado, e haverá o acompanhamento do biólogo também”, conclui.
“São espécies plantadas pelos primeiros frades franciscanos que chegaram em Anápolis. Então, além de valor ambiental, elas também têm uma relevância histórica e sentimental”, frisa o diretor da empresa responsável, Juliano Santos.
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