19 de julho de 2026
REFORMA MINISTERIAL

Eleição força Lula a trocar pelo menos 20 ministros

Saída de titulares para disputa eleitoral força rearranjo; Planalto aposta em secretários-executivos para reduzir desgaste político
Lula (Foto: Agência Brasil)
Lula (Foto: Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza nesta terça-feira (31) a última reunião ministerial com o atual desenho da Esplanada, em movimento que marca o início da reforma motivada pelo calendário eleitoral de 2026. O encontro ocorre a quatro dias do prazo de desincompatibilização, que termina no sábado (4). A apuração foi feita pelo Poder 360.

A reunião tem duplo objetivo. Funciona como despedida para ministros que deixarão os cargos para disputar as eleições e, ao mesmo tempo, como ajuste de rota política para o restante do governo. Parte dos substitutos já deve participar do encontro, indicando a transição em curso dentro da máquina federal.

A estratégia do Palácio do Planalto é substituir os ministros que sairão por seus respectivos secretários-executivos. A lógica é reduzir o custo político das trocas e preservar a continuidade administrativa, com perfis mais técnicos e menos expostos ao embate eleitoral. O modelo já foi testado na Fazenda, onde Dario Durigan assumiu no lugar de Fernando Haddad, que se prepara para disputar o governo de São Paulo.

No encontro, Lula deve reforçar diretrizes para a atuação pública dos ministros que permanecem. A orientação inclui foco em pautas consideradas prioritárias pelo governo, como o debate sobre o fim da escala 6×1, tema que o Planalto pretende transformar em bandeira no discurso político.

O núcleo duro do governo terá protagonismo na reunião. Devem se manifestar o ministro da Casa Civil, Rui Costa, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. O trio concentra a articulação política, institucional e de narrativa do governo.

A movimentação é ampla. Das cerca de 20 saídas previstas, mais da metade mira o Senado. A Casa Alta aparece como prioridade não apenas pelo peso político, mas por atribuições estratégicas, como a prerrogativa do presidente do Senado de autorizar a abertura de processos de impeachment contra ministros do STF.


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