13 de julho de 2024
Cidades

“É fora do comum? É, mas isso não é ilegal”, afirma advogado de Padre Robson

MP-GO recorreu de decisão do TJ-GO. (Foto: Reprodução)
MP-GO recorreu de decisão do TJ-GO. (Foto: Reprodução)

Desde a última sexta-feira (21/08) a rotina de Padre Robson mudou. Se antes quando falava, buscava evangelizar e levar a palavra do Divino Pai Eterno ao mundo, agora se defende acusado de chefe de uma Organização Criminosa que movimentava milhões de reais. Proibido de usar batina, agora o padre sequer pode falar em nome da Igreja católica. Apesar de tudo, o advogado que faz sua defesa, Pedro Paulo Medeiros, sustenta Robson está tranquilo. Diz que o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda é alguém que “não tem fé” e “não acredita que os fiéis” possam fazer doações volumosas e que tudo seria explicado caso Padre Robson tivesse sido convidado pelo Ministério Público para prestar as devidas contas. “Nunca permitiram o Padre Robson se explicar e dar a oportunidade explicar o que de fato aconteceu”, afirmou o advogado em entrevista ao jornalista Altair Tavares, na manhã desta terça-feira (26/08).

Caso tivesse a oportunidade de explicar, Pedro Paulo afirma que todo esse espetáculo não seria desenhado da maneira como está sendo. “O que de fato aconteceu é muito simples, todo valor entrou na Associação Filhos do Pai Eterno vem de uma única fonte: a doação de fiéis”, declarou ressaltando que a possibilidade de se explicar, não lhe foi ‘oportunizada’.

“Não é um fiel”

Sobrou até para o secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda. O titular da pasta estadual afirmou à Rádio Bandeirantes nesta última terça-feira (25/08) que representantes do Vaticano já estavam monitorando o comportamento do Padre. Miranda que o valor movimento poderia chegar a 10 bilhões. “É um número absurdo, que merece atenção”, completa.

O advogado acredita no entanto, que o secretário subestima a capacidade da Afipe e da Igreja Católica de angariar fiéis. “Se o secretário de Segurança Pública porque não é um fiel, não é alguém envolvido com a fé, não acredita que os fiéis façam doações durante 15 anos que cheguem a esse montante, que não é esse montante que o secretário se refere”, dispara destacando que o valor pode até ser alto mas tudo é por conta da “fé dos fiéis”. “Se o secretário de Segurança Pública porque não é um fiel, não é alguém envolvido com a fé, não acredita que os fiéis façam doações durante 15 anos que cheguem a esse montante, que não é esse montante que o secretário se refere”, pontua.

Medeiros destaca que não houve visita de membros do Vaticano ao Brasil. “Nunca, nunca, e isso confirmado com o Vaticano. Mas ainda que viesse, viria e ficaria maravilhado em ver como o dinheiro dos fiéis é empregado na Afipe para evangelização”, e mais uma vez pegou no pé de Miranda: “Quem tá dizendo é o secretário, não é o Vaticano”, pontuou.  Os valores arrecadados são frutos de doações, sustenta. “O número é alto, aproxima-se ao que parece aos 2 bilhões, mas isso tudo é fruto da fé dos fiéis.”

Se membros do Vaticano de fato, tivessem vindo ao Brasil averiguar como ia as contas da Anfipe, Pedro Paulo ressalta que se surpreenderiam positivamente. “

A defesa afirma como já teria dito caso o Padre Robson tivesse chamado para se explicar o que até hoje não foi oportunizado. Nunca permitiram o Padre Robson se explicar e dar a oportunidade de explicar o que de fato aconteceu o que é muito simples: todo o valor que entrou na Associação Filhos do Pai Eterno vem de uma única fonte: doação de fiéis..


Ele sempre, em todas as entrevistas que ele dá, de todas as operações ele sempre faz frases de efeito. Multiplica os números por vinte, exatamente para repercutir, mas não é verdade. “Comprou-se uma das maiores emissoras de TV do país, que é a TV Pai Eterno, está construindo uma das maiores Basílicas do país, que é a Basílica de Trindade, construíram-se igrejas. Ajudaram asilos, a Vila São Cottolengo, por exemplo. Compraram-se várias rádios para levar a palavra e a fé do Divino Pai Eterno”, explicou.

“É fora do comum? É, mas isso não é ilegal”

O advogado sustenta que a partir dos valores recebidos dos fiéis foram feitos vários investimentos em prol da Afipe. “Foram gerados vários negócios para gerar mais lucro para comprar mais rádios, tvs, construírem basílicas, ajudarem asilos, necessitados. Tudo isso foi o que aconteceu. É fora do comum? É, mas isso não é ilegal. Longe disso, é um exercício de fé dos devotos do Divino Pai Eterno”, explicou.

Se a reputação do Padre foi destruída em torno à todas as notícias que estão sendo publicadas, o advogado acredita que não. É um episódio nebuloso mas que irá passar e tudo será explicado. “De forma alguma, ele não só tem explicação para todas essas situações, tanto que pede para que formalmente eu venha em seu nome dar todas as explicações que forem solicitadas pela imprensa, pela sociedade, pelos fiéis do Divino Pai Eterno. Como ele próprio está insistindo que seja ouvido pelos promotores, para explicar o que está acontecendo e o Ministério Público chegue a conclusão e veja a verdade dos fatos o mais cedo possível. A reputação destruída de forma alguma. Padre Robson tem uma vida de trabalho pela fé e pela evangelização”, concluiu.


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Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.