07 de agosto de 2022
Saúde

Dois novos sintomas são associados à varíola dos macacos e cientistas fazem alerta; entenda

Enquanto as vacinas não chegam para todos, OMS também pediu redução de parceiros sexuais
Dor na região do ânus, inchaço do pênis e lesões antes do início da febre são considerados novos sintomas causado pelo virus monkeypox. (Foto: reprodução)
Dor na região do ânus, inchaço do pênis e lesões antes do início da febre são considerados novos sintomas causado pelo virus monkeypox. (Foto: reprodução)

O vírus Monkeypox, que causa a doença com sintomas semelhantes à varíola comum, mas menos graves, conhecida como varíola do macaco, recebeu mais um alerta de cientistas sobre novos sintomas. Pesquisadores do Reino Unido divulgaram, em um estudo publicado no periódico BMJ, que dor na região do ânus e inchaço do pênis também estão associados à doença, que até então tinha, como características principais as manifestação na pele, na forma de bolhas ou lesões que podem aparecer em diversas partes do corpo, como rosto, mãos, pés, olhos, boca ou genitais.

Outro sintoma, este descrito pelos cientistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), são o de que as lesões podem aparecer antes da febre e do mal estar em algumas pessoas, o que antes era registrado apenas depois. Em relação a estes novos sinais, os especialistas do Serviço Nacional de Saúde (NHS, em inglês) estão pedindo que todas as manifestações clínicas sejam incluídas nas orientações de saúde pública e aos profissionais para auxiliar no diagnóstico precoce e reduzir a transmissão da doença.

Ainda de acordo com o estudo que analisou os novos sintomas, as pessoas com infecção suspeita e confirmada foram divididas e tratadas de acordo com a gravidade da doença, estado imunológico e sua capacidade de autoisolamento. Todas as pessoas com resultado positivo no teste de diagnóstico molecular participaram de uma consulta por telefone para serem aconselhadas sobre o resultado e para realizar uma avaliação de risco.

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Estudo

De acordo com o estudo, a idade média dos participantes foi de 38 anos. Os 197 participantes eram homens, de 21 a 67 anos, e 196 identificados como gays, bissexuais ou outros homens que fazem sexo com homens. Todos apresentaram lesões na pele, mais da metade nos genitais (56,3%) ou na região perianal (41,6%). Do total, 170 (86,3%) participantes relataram doença sistêmica. Os sintomas sistêmicos mais comuns foram febre (61,9%), aumento dos gânglios ou linfadenopatia (57,9%) e dor muscular (31,5%).

Entre os pacientes, 102 (61,5%) desenvolveram características sistêmicas antes do início das manifestações na pele e 64 (38,5%) após. Outros 27 (13,7%) apresentaram exclusivamente manifestações na pele sem características sistêmicas. Ao menos 71 pacientes (36%) relataram dor retal, 33 (16,8%) dor de garganta e 31 (15,7%) inchaço (edema) peniano. Pelo menos 27 (13,7%) apresentavam lesões orais e 9 (4,6%) sinais de alteração nas amígdalas.

Os especialistas recomendam que indivíduos com infecção confirmada com lesões penianas extensas ou dor retal intensa devem ser considerados para revisão contínua ou tratamento hospitalar. Além disso, numa conferência em Genebra, o Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, deixou um “apelo” aos homens que mantêm relações sexuais com outros homens: “Para os homens que fazem sexo com homens, isso também significa reduzir o número dos parceiros sexuais e trocar informações com qualquer novo parceiro para poder contatá-los”.

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Sintomas gerais e transmissão

A varíola dos macacos, na maioria das vezes, começa com uma febre súbita, forte e intensa, acompanhada de dores de cabeça, náusea, exaustão, cansaço e fundamentalmente o aparecimento de gânglios (inchaços popularmente conhecidos como “ínguas”). Essas ínguas podem acontecer tanto na região do pescoço, na região axilar, como na região genital. Além, claro, do aparecimento das lesões na pele, como bolhas, que agora podem aparecer antes ou depois da febre.

Estando doente, a pessoa pode transmitir o vírus para outras pessoas por meio de contato próximo com as lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias (causadas por espirros, tosse, saliva) e materiais contaminados, como roupas de cama. O período de incubação é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar de 5 a 21 dias.

Tratamento e vacinas

Até então, o tratamento para quem já está doente é promover o alívio dos sintomas e das complicações, prevenindo sequelas a longo prazo, principalmente ligadas às lesões. Os pacientes são indicados a manter alimentação saudável e a beber muito líquido e, em caso de infecções bacterianas secundárias, elas devem ser tratadas conforme orientação médica.

Um antiviral, uma vacina, conhecido como tecovirimat, que foi desenvolvido para a varíola comum, foi licenciado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para varíola dos macacos em 2022 com base em dados em estudos em animais e humanos. No entanto, o medicamento ainda não está amplamente disponível.

As primeiras doses destinadas ao Brasil deverão chegar em setembro. Serão cerca de 20 mil doses que desembarcarão no país em setembro e 30 mil em outubro. No primeiro momento, profissionais de saúde que manipulam as amostras recolhidas de pacientes e pessoas que tiveram contato direto com doentes serão vacinados. O esquema de vacinação será feito em duas doses, com intervalo de 30 dias entre elas.