30 de junho de 2022
Diário de Goiás

Doença pouco conhecida pela população mata mais de 335 mil pessoas por ano no Brasil

Reportagem da TV Anhanguera denunciou fraudes em folhas de pontos. (Foto: Divulgação)
Reportagem da TV Anhanguera denunciou fraudes em folhas de pontos. (Foto: Divulgação)

Em celebração ao Dia Mundial da Sepse, o HDT promoverá nesta sexta-feira, (13), orientações in loco voltadas aos colaboradores da unidade, para discutir as complicações, diagnóstico e tratamento da doença. A sepse, também conhecida como sepsis, é um conjunto de manifestações graves desencadeadas por uma infecção que se espalha pelo organismo. Atualmente, a doença mata mais que o infarto e o câncer de mama e intestino no Brasil.

A médica e infectologista do Hospital Estadual de Doenças Tropicais (HDT), Marianna Tassara, explica que muitas vezes a infecção não necessariamente está em todos os locais do organismo. “A infecção pode estar localizada em apenas um órgão, mas acaba provocando uma disfunção orgânica em todo o corpo por uma resposta desregulada na tentativa de combater o agente da infecção”.

De acordo com o Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas), no Brasil são registrados cerca de 670 mil casos por ano, com 50% destes resultando em morte. Marianna destaca que esse aumento da mortalidade ocorre pela complexidade da doença. “A sepse pode levar ao choque séptico, que é a falência de múltiplos órgãos, por isso muitos pacientes não suportam a doença e vão a óbito”.

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A doença é decorrente de uma infecção bacteriana. A forma de contaminação varia conforme o foco causador da doença. “Por exemplo, se a causa é a meningite, a contaminação é pelo ar, se a causa é uma infecção urinária, a contaminação é pela flora local e alguma desordem fisiológica do hospedeiro”, ressalta a médica. Os fungos e vírus também podem causar a doença.

Pessoas hospitalizadas, com sistema imunológico debilitado, portadores de doenças crônicas, crianças com menos de um ano e idosos acima de 65 anos estão mais sujeitos a desenvolver a sepse. Os sintomas da síndrome variam de acordo com o grau de evolução do quadro clínico. Os mais comuns são a pressão arterial baixa, calafrios, febre, palidez cutânea, diminuição da urina e dificuldade respiratória.

Os especialistas indicam algumas ações que ajudam a diminuir o risco de contrair algumas infecções que possam se espalhar pelo organismo: Higienizar as mãos com água e sabão ou álcool gel; Evitar a automedicação e o uso excessivo de antibióticos; Não interromper o tratamento antes do prazo prescrito pelo médico; Manter a vacinação em dia.

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 Diagnóstico e tratamento

O coordenador médico da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HDT, Dr. Eros de Sousa, explica que o diagnóstico da doença é feito por meio de avaliação clínica e laboratorial. O hospital colhe a amostra de sangue, urina e de secreções do pulmão para identificar a bactéria e seu perfil. Também é feito a coleta específica a partir do sangue, para identificar a intensidade da sepse. “Tempo é vida no tratamento dessa doença, e esses procedimentos devem ser realizados em um espaço muito curto de tempo, dentro de uma hora”.

Geralmente o tratamento de sepse é feito dentro da UTI, e é iniciado com a ressuscitação volêmica, onde o paciente recebe uma grande quantidade de soro. “Esse procedimento combate a má perfusão, que é a dificuldade de o oxigênio chegar aos tecidos, e a hipotensão, que é a baixa pressão arterial. Paralelo a isso, começamos o tratamento também com doses de antibióticos mais fortes”, destaca Eros.