15 de junho de 2024
Política

Deu na Tribuna do Planalto – Por candidatura, Marconi põe o pé na estrada

Por Daniel Gondim

Aliados do governador Marconi Perillo (PSDB) sabem que o restante do ano de 2013 será fundamental para as suas pretensões eleitorais. Ao mesmo tempo que o tucano precisa alavancar o governo, terá também que motivar a sua militância.

Pensando nisso, Marconi tem se lançado ao interior nas últimas semanas. Duas edições seguidas do Governo Itinerante, viagens ao interior e até uma marcha à Brasília mostram que ele já começa a criar uma “agenda positiva”, cuja intenção é fazer diagnósticos para avaliar as suas possibilidade de disputar a reeleição em 2014.


A maior movimentação do governador teria três motivos principais. O primeiro é que, passado o período de chuvas, Marconi começa a rodar o Estado para vistoriar obras. Como a infraestrutura é o principal foco da atual administração, há uma “corrida contra o tempo” para viabilizar e entregar todos os projetos anunciados, especialmente os de recuperação de estradas. 


O segundo motivo para as viagens é político. Com todas as dificuldades enfrentadas pela administração, o governador tenta avaliar junto aos seus aliados no interior se há motivação para mais uma candidatura ao governo do Estado.

Além disso, o tucano quer saber com quem ele pode realmente contar para mais um embate eleitoral. Por isso, Marconi tem visitado municípios do interior para diagnosticar quem ainda está com ele e acredita na recuperação de sua imagem.


Por fim, o terceiro é a necessidade de contrabalancear a movimentação da oposição, que, desde o início do ano, tem percorrido o interior já pensando na eleição estadual.

Embora a base aliada questione a eficácia das ações do grupo contrário ao governador, há consciência de que é preciso aumentar o contato com a população.


Aliados do tucano veem que esta é a hora H para o governador – Marconi terá até o fim do ano para diagnosticar a sua viabilidade eleitoral e decidir se será candidato, ou não. “O governador agora já tem obra para mostrar. Além disso, ele está fazendo de novo uma coisa que sabe fazer muito bem e que tinha perdido, que é a comunicação”, analisa um deputado da base marconista.

Preocupação

A agenda de Marconi esteve cheia de compromissos nas duas últimas semanas. Reati­vado em abril, o Governo Itine­rante teve duas edições em sequência. A primeira foi realizada em Aparecida de Goiânia entre 8 e 11 de maio, enquanto a segunda começou na quinta, 16, em Águas Lindas de Goiás.
Além disso, os compromissos de Perillo também incluíram visitas a cidades do interior, como Goiatuba e Catalão, onde o governador esteve nos dias 10 e 11, respectivamente.

Na semana passada, Marconi visitou Goianésia e Jaraguá na sexta, 17. Nos dois casos, há semelhanças e diferenças entre os lugares escolhidos para as idas do tucano.

A diferença é que, nos dois casos citados, as visitas tiveram motivação diferente. Nas duas primeiras cidades, Marconi participou de eventos sociais. Em Goiatuba, ele participou da festa de São Sebastião, tradicional evento religioso no município.

Em Catalão, Perillo foi a atração no evento feito em homenagem ao Dia das Mães, organizado anualmente pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa e atual prefeito da cidade, Jardel Sebba (PSDB). 


Em Goianésia e Jaraguá, a ida do governador teve motivação administrativa, já que ele inaugurou a pavimentação de um trecho de 53 quilômetros da GO-080, que liga as duas cidades.

Além disso, Perillo também aproveitou a visita para inaugurar a universalização do sistema de água e a ampliação da Estação de Tratamento de Água governador Otávio Lage de Siqueira, em Goianésia.


A semelhança entre os ca­sos é que Goianésia, Goiatuba e Catalão são cidades administradas por aliados de Marconi. Na cidade do Vale do São Patrício, o prefeito é Jalles Fontoura (PSDB), filho do ex-governador Otávio Lage.

No sul do Estado, Reinaldo Cândido e Jardel Sebba comandam, respectivamente, as cidades que receberam o governador. 
Visitar cidades administradas por aliados não é coincidência.

Os desgastes políticos e administrativos vividos durante os dois primeiros anos da atual gestão deixaram preocupações com possíveis manifestações. No final de abril, por exemplo, o governador foi vítima de protestos e até vaias de funcionários da Agência de Defesa Agropecuária (Agrodefesa).


“Eu não estou me importando com manifestações, reivindicações, críticas. Eu sou um democrata. Isso faz parte da democracia. E o meu couro está grosso também. Então não adianta achar que vou ficar me importando com manifestações às vezes injustas”, disse o governador, respondendo às vaias e cartazes de protestos dos manifestantes, que cobravam reajustes salariais. 


Por causa disso, há uma preocupação em não expor o governador a situações de risco. “Não vou dizer que há medo disso, mas não é bom ser vaiado e ficar exposto a desgastes desnecessários. Existe um cuidado com os lugares onde o governador vai, mas não é nada também que preocupe”, confessa um aliado. 
Governo Itinerante
Outro indício de que o governador quer se aproximar da sociedade foi o aumento de edições do Governo Itinerante.

No dia 8 de maio, na abertura do evento em Aparecida de Goiânia, Marconi anunciou que o número de edições passaria de 12 para 20. Agora, a intenção já é realizar 30 até o primeiro trimestre de 2014. 


No site do Governo Itinerante, já havia a previsão de 18 edições, o que contrasta com o número anunciado pelo governador. Ao custo de R$ 4,5 milhões por cada edição, a iniciativa tem como objetivo levar para serviços públicos para o Estado.

No calendário divulgado, até agora, só há eventos na em Goiânia e cidades da Região Metropolitana, além de Anápolis e municípios do Entorno do Distrito Federal. 
A expectativa é que o au­men­to permita a expansão do projeto, que agora é chamado de Governo Junto de Você.

Segundo o jornal O Popular, já há e­dições programadas para Itumbiara, Goianira, Porangatu e Jataí. 
Atualmente, o programa já visitou Goiânia e Aparecida e, na quarta, 16, o governador esteve em Águas Lindas para inaugurar a terceira edição.

A escolha do segundo maior município do Entorno para sediar o projeto não é por acaso. A re­gião concentra mais de 600 mil eleitores e, em 2010, Perillo teve quase 100 mil votos de vantagem nos municípios da região.


Com o fortalecimento da oposição depois das eleições municipais de 2012, o governador busca reforçar as alianças na região, já que, nas últimas eleições, a oposição obteve vitórias em cidades importantes, como Valparaíso e Novo Gama.

Governador ganha mídia espontânea com protesto

Além das viagens, o governador também ataca em outras frentes para criar uma agenda positiva. Na quarta, 15, Marconi levou uma comitiva para protestar em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, contra a unificação da cobrança do ICMS.

O evento foi liderado e organizado por Perillo, que assumiu um papel de de­fensor dos interesses do Estado. 
A iniciativa serviu, ao menos, para manter Marconi nos holofotes.

Para reforçar o papel de defesa dos interesses de Goiás, o discurso do governador foi recheado de palavras de ordem contra a proposta de unificação. “Não estamos contra ninguém, mas a favor do nosso Estado. Defendemos o ICMS”, disse o tucano durante a marcha. 


Entre os aliados, a manifestação em Brasília foi um sucesso. Os mais otimistas contabilizaram cerca de 20 mil pessoas na marcha, enquanto também houve quem falasse em cinco mil presentes. “Por mais que não tivesse 20 mil pessoas, fica a imagem daquela foto com muita gente participando. A imagem é muito forte”, garante um aliado do governador. 


A campanha do governador contra a mudança no ICMS começou no dia 9 de maio, quando ele recebeu no Palácio das Esmeraldas prefeitos, lideranças políticas e empresariais para discutir o assunto.

Na ocasião, ficou acertada a “marcha” para Brasília, que, coincidência ou não, ocorreu no mesmo dia da filiação do empresário Júnior do Friboi ao PMDB.
Os aliados do governador desconversam sobre o assunto, mas há a especulação de que a marcha foi intencionalmente organizada para tirar o foco da filiação de Júnior, que chegou ao PMDB como o principal nome do partido para disputar o Palácio das Esmeraldas em 2014.

Oposição

Nesse sentido, a estratégia de colocar o protesto para rivalizar com a filiação de Júnior foi eficiente. Apesar dos dois eventos terem ocorrido em horários diferentes, a oposição foi criticada por não ter comparecido à marcha.

As únicas lideranças oposicionistas presentes na marcha foram os deputados federais Leandro Vilela, Pedro Chaves e Sandro Mabel, todos do PMDB.

Curiosamente, a presença de Leandro ocorre uma semana de intensa troca de elogios entre Marconi Perillo e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), que é tio do peemedebista. 


Antes mesmo do evento, aliados do governador já cobravam presença da oposição. “Este é o momento da oposição em Goiás demonstrar que está à favor de nosso Estado. É um momento ímpar, nós goianos precisamos de todos juntos”, escreveu no Twitter o secretário de Articulação Política, Sérgio Cardoso. 


Também pela rede social, o secretário de Indústria e Co­mér­cio, Alexandre Baldy, elogiou a presença dos peemedebistas. “Deputados federais de oposição, que esqueceram seus partidos, elogiaram Governa­dor Marconi, pela liderança na Marcha”, afirmou ele, que aproveitou também a oportunidade para criticar o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), que esteve em Goiânia para participar da filiação de Júnior ao PMDB.


“O que de fato nos entristece, pelo motivo de nosso vice-presidente da República, não ter visitado Goiás para discutir o problema do povo goiano”, es­creveu Baldy, que, na sequência, fez questão de elogiar a pre­sidente Dilma Rousseff (PT). 


“O vice-presidente deveria seguir passos da presidente Dilma, que vem Estado para trabalhar e atender aos anseios do povo goiano e não interesses individuais”, postou o secretário de Indústria e Comércio.

Na atual administração, os aliados do governador têm evitado críticas à presidente, já que o governo federal tem sido parceiro da do governo do Estado em investimentos e na concessão de empréstimos. Sempre que podem, os marconistas ressaltam a “postura republicana” da petista. (D.G.)


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