Na disputa de três cabeças entre Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Júnior, o goiano leva vantagem, na avaliação do ex-deputado federal Vilmar Rocha. O fundador do PSD cita a vontade e a determinação do governador como fatores que o colocam à frente no embate com os dois homólogos gaúcho e paranaense.
Em entrevista exclusiva ao DG, Rocha revelou que a filiação de Caiado ao PSD foi uma surpresa para ele e que falou com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, apenas na manhã desta quarta-feira (28). O pessedista não cravou, mas crê que haverá mudanças no comando do partido em Goiás, com o fim da ‘era Vanderlan Cardoso’.
Rocha apontou ainda que a chegada de Caiado animou os quadros do partido e ele próprio para as eleições. O ex-deputado pode pleitear, em outubro, uma vaga na Câmara Federal.
Confira a entrevista na íntegra:
DG: Como o senhor avalia esta novidade no PSD, considerando a entrada de Caiado e agora retomando, de certa forma, uma história entre o senhor e Caiado, que já foram filiados ao mesmo partido?
Vilmar Rocha: Primeiro foi uma surpresa ele vir para o PSD. Havia conversações e articulações para uma reestruturação do PSD em Goiás, mas não envolvia a vinda dele. Eu mesmo estive com ele há uns 15 dias, numa conversa, me disse que sairia do União Brasil, estava analisando opções, mas não incluiu o PSD, portanto foi uma surpresa. Segundo, você tem razão. Durante 20 anos fomos companheiros no PFL. Éramos deputados federais do PFL e convivemos durante este tempo. Hoje mesmo umas cinco ou seis pessoas me lembraram desse fato. Ele é muito bem-vindo ao PSD, pois ele reforça o partido em Goiás. Vamos ter a oportunidade de montar uma chapa forte de candidatos a deputado federal e estadual e também trabalhar para participar da chapa majoritária na eleição deste ano. Acho que foi bom para ele, Caiado, como pré-candidato a presidente. Ele foi para um partido grande, com capilaridade nacional. É o partido com o maior número de prefeitos, tem uma grande bancada na Câmara e no Senado, tem um bom tempo de televisão e estrutura que pode dar sustentação à candidatura dele. Hoje pela manhã o presidente Kassab me ligou relatando como foram as conversas e os acordos. Me disse que os três vão ser candidatos a presidente: ele, Ratinho e Eduardo Leite. E que em abril vai se decidir quem vai ser o candidato do PSD, mas o PSD terá candidato à presidência da República.
DG: E como fica a direção estadual do PSD em Goiás?
Vilmar Rocha: Eu acredito que deva haver mudanças aqui. Não participei dessas conversas ainda, mas é natural que haja mudanças. É preciso que a gente converse com os companheiros do PSD para ver como vamos estruturar essa nova direção. Mas é natural que haja mudanças aqui.
DG: O senhor pensava em sair do PSD?
Vilmar Rocha: Nunca pensei em sair do PSD. Ora, sou fundador do PSD a nível nacional. Na época, eu era deputado federal e secretário-chefe da Casa Civil em Goiás. Como os formadores do PSD vieram, em sua maioria, do PFL, ajudei na formação do partido a nível nacional. Em Goiás fui o primeiro presidente e presidente durante dez anos. Por essa razão eu não ia sair. Mesmo que o PSD não fizesse deputado estadual ou federal, não sairia.
DG: O senhor falou em chapas. Ismael Alexandrino declarou para a gente que pensava em sair, mas agora pensa em ficar. Gustavo Mendanha animou-se com essa filiação. De ontem para hoje, o que o senhor sentiu do clima dessa estrutura, que de certa forma não tinha tanto alinhamento com a presidência do senador Vanderlan Cardoso?
Vilmar Rocha: Havia uma insegurança, uma ansiedade muito grande no PSD sobre qual seria o destino do partido. Havia muitas dúvidas e, inclusive, uma grande preocupação que o partido não conseguisse fazer uma chapa de candidatos a deputados federal e estadual competitiva, que a gente corresse o risco de não eleger nenhum deputado federal ou estadual. Coisa que seria inédita no PSD. Desde que foi fundado, o PSD sempre teve representação na Assembleia e na Câmara Federal e agora recentemente no Senado. Com esse fortalecimento do PSD, os quadros que pretendem participar da eleição de 2026 se sentem mais seguro porque vai ter uma chapa substantiva de deputado federal, deputado estadual. Isso foi animador para os membros do PSD.
DG: Nesse diálogo com Kassab, ele deixou claro o que ficou acordado com Vanderlan?
Vilmar Rocha: Não. Não tratamos deste assunto. Não sei. O Caiado está em São Paulo. Quando ele voltar, vamos conversar. Ele vai nos dizer. Este assunto, quem deve responder é o senador Vanderlan.
DG: E a sua pretensão eleitoral? Está animado ou não?
Vilmar Rocha: Eu me animei. Fiquei animado. Eu não escondo. Sou transparente e sempre fui. Minha vontade mesmo é ser candidato ao Senado. Me preparei ao longo dos anos para isso. Tenho uma experiência política, administrativa, nome limpo e um perfil que trato das coisas do país, do estado e não das coisas menores. Tenho um perfil bom comparado, na minha avaliação, para representar Goiás bem no Senado. Mas a candidatura a senador depende de outras articulações, outras alianças que não sei se são possíveis agora. Todo mundo que me perguntava antes se eu seria candidato a deputado federal, eu vou dizer como estou impressionado com o tanto de gente, das mais diferentes posições, sempre me falavam: ‘o senhor tem que voltar a ser candidato’. Estou muito impressionado. Sempre respondia que em março, com o quadro mais claro, decidiria se vou ou não ser candidato a deputado federal. Agora, com esses novos fatos e a expectativa de o partido ter uma chapa boa, estou mais animado. Se eu estava com 50%, agora vai para 75%. Mas a decisão só vou tomar no final de março quando o quadro político e partidário estiver bem definido. Até porque depois de tomar a decisão não tem volta mais. Vou até o fim.
DG: Quais as chances de o governador Caiado ser mesmo candidato à presidência pelo PSD?
Vilmar Rocha: São três nomes. Os dois mais fortes são o dele e do Ratinho Júnior. Estive no final do ano em São Paulo, na casa do Kassab, com o Ratinho Júnior. Depois tivemos um debate na Associação Comercial de São Paulo. Não sinto vontade, determinação no Ratinho em ser candidato a presidente da República. A pessoa tem que querer e querer muito. Não noto isso no Ratinho. Ele é um bom nome, faz um bom governo no Paraná, jovem, mas não noto aquela vontade e determinação de ser candidato. É um grande desafio. E eu noto isso muito no Caiado. Vontade, determinação, gosto. Nesse quesito, ele leva vantagem. Na reta final, acredito que ficará entre os dois e, por este diferencial Ronaldo tem grandes chances de ser candidato pelo PSD, que decidiu que vai ter candidato a presidente da República.
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