14 de julho de 2026
ELEIÇÕES 2026

Depois que virou candidato, Flávio Bolsonaro modera, usa linguagem neutra e pede apoio até de “todes”

Pré-candidato ao Planalto adota linguagem neutra em aceno moderado e gera reação entre aliados conservadores
Flavio citou "todas, todos, todes, todys e todoXs" - Foto: divulgação / arquivo
Flavio citou "todas, todos, todes, todys e todoXs" - Foto: divulgação / arquivo

Rejeitada e combatida pelos conservadores que orbitam partidos de extrema-direita, a linguagem neutra agora está no vocabulário do pré-candidato a presidente do setor, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um gesto de moderação para tentar furar a bolha bolsonarista e conseguir apoio, o senador do PL do Rio de Janeiro fez uma publicação na rede X pedindo apoio também a “todes”.

“Tá todo mundo querendo vencer a discussão. Mas o que precisamos é vencer a eleição!. Gostaria de contar com apoio de todas, todos, todes, todys e todoXs”, escreveu na publicação de segunda-feira (23) que tem uma foto de Flávio abraçado com o pai.

O pré-candidato ao Palácio do Planalto busca se apresentar como uma versão moderada do pai. Mas a publicação chamou atenção porque a linguagem neutra  sempre foi alvo de duras críticas dos conservadores, especialmente os bolsonaristas. Em algumas cidades, houve até tentativas de proibição do uso da linguagem neutra em escolas, por exemplo.

A publicação de Flávio também foi lida entre bolsonaristas como uma resposta ao embate público entre Nikolas Ferreira (PL-MG) e Eduardo Bolsonaro, que cobra mais empenho do deputado mineiro na pré-campanha do irmão. Os dois trocaram farpas pelas redes sociais no final de semana.

Mudança tardia

A curiosidade na mudança de postura do bolsonarista é grande, e até irônica, especialmente porque, desde o final do ano passado, a linguagem neutra está proibida ao menos em documentos oficiais do governo federal, ou seja, pode ser usada socialmente, mas não oficialmente.

Isso ocorreu com a adoção da Política Nacional de Linguagem Simples que evita linguagem usando as letras “x” e “e” e símbolo “@”, em vez das vogais “o” e “a” em palavras como “todes”, “todxs” ou “tod@s”, “amigues”, no lugar de todos e todas, amigos e amigas, ou os pronomes “elu” e “delu”, que substituiriam os pronomes “ele/ela” e “dele/dela”, respectivamente, para se referir a pessoas não-binárias, ou seja, que não se identificam exclusivamente como homem ou mulher.


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