16 de julho de 2026
SITUAÇÃO INUSITADA

Defesa diz a Moraes que Bolsonaro não estava impedido de ter arma; Polícia Civil do DF abriu inquérito

Defesa justifica pistola inoperante após cobrança de Moraes; PCDF investiga caso que pode ameaçar prisão domiciliar do ex-presidente.
Bolsonaro sempre estimulou uso de armas; pistola apreendida é dele, segundo militar - Foto reprodução Congresso em Foco - Agência Brasil
Bolsonaro sempre estimulou uso de armas; pistola apreendida é dele, segundo militar - Foto reprodução Congresso em Foco - Agência Brasil

Após o ministro Alexandre de Moraes cobrar explicações da defesa ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a arma de Jair Bolsonaro (PL), apreendida durante uma blitz no distrito Federal, a defesa do ex-presidente alegou que a equipe de segurança do ex-presidente havia retirado, sem conhecimento de Bolsonaro uma peça da pistola, o que a tornou inoperante. Segundo a defesa, ao perceber que ela não estava funcionando, ele teria entregado a um militar para que ela fosse reparada. O ex-presidente, entretanto, está preso e não poderia ter acesso a uma arma.



Segundo a defesa, a peça foi retirada após o ex-presidente apresentar quadros de confusão mental por causa dos medicamentos que estava utilizando. Segundo a Globo News, em nota, a defesa alegou que a prisão não teria demandado entrega de armas nem cancelamento de registros, e que por isso não haveria impedimento em manter a pistola.

O episódio gerou o temor entre aliados de Bolsonaro de uma eventual revogação da prisão domiciliar do ex-presidente que lidera a extrema direita brasileira mesmo após condenação por tentativa de golpe de Estado. Já na esquerda, há a torcida pela volta de Bolsonaro para o regime fechado porque o episódio da arma coincidiu com o término do prazo dado para a prisão domiciliar para tratamento de saúde, o que chamou a atenção.

O comportamento de Bolsonaro no caso da violação de uma tornozeleira eletrônica, para estes, mostra que a presença de uma arma com o ex-presidente é no mínimo inadequada e não seria aceita se fosse qualquer outro condenado em última instância.

PCDF investiga

A Polícia Civil do Distrito Federal instaurou um inquérito na quarta-feira (17) para investigar o caso da apreensão da arma de fogo que seria de propriedade do ex-presidente Jair Bolsonaro durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).

Em comunicado enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o delegado responsável pelo caso informou Alexandre de Moraes, que a 17ª delegacia de polícia está realizando as diligências para a apuração.

Moraes tinha dado prazo de 24 horas para a defesa do ex-presidente, o que foi cumprido na quarta.

Carro no bloqueio

A arma foi apreendida às 23h30 da última segunda-feira (15), quando um Honda Civic foi parado em um ponto de bloqueio no Pistão Norte, em Taguatinga. Na abordagem, o motorista se identificou como servidor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e disse que a arma pertencia ao ex-presidente.

O homem que levava a arma, o sargento do Exército, Estácio Leite da Silva Filho faz parte da segurança do ex-presidente desde que Bolsonaro deixou a Presidência. De 2023 para cá o militar fez mais de 85 viagens com ele. Atualmente o sargento é um dos responsáveis pela segurança no perímetro da casa de Bolsonaro, segundo o portal Uol, com a autorização de Moraes.

Durante a blitz, também foi localizado um carregador sobressalente da pistola, modelo Glock 9 milímetros (mm). O motorista foi conduzido até uma delegacia, onde afirmou que a arma lhe foi entregue em razão de uma pane. Em depoimento, ele relatou ainda que retirou a pistola no próprio dia 15 com a finalidade de realizar o reparo e que o armamento seria devolvido no dia seguinte.


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