O governador Daniel Vilela declarou sua disposição para criar o “melhor ambiente, inclusive tecnológico”, para que etapas industriais com terras raras possam ser realizadas em Goiás, ampliando o desenvolvimento econômico com geração de empregos e renda. A afirmação foi durante reunião na quarta-feira (20) com representantes do grupo Serra Verde, mineradora que atua em Minaçu, no norte do Estado, e que recentemente anunciou fusão com a empresa americana USA Rare Earth, Inc. (USAR).
A reunião foi com o CEO do Grupo Serra Verde, Thras Moraitis, e o presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, Ricardo Grossi.
Goiás possui cerca de 25% de reservas mundiais e conta com a única produtora em grande escala de terras raras pesadas críticas fora da Ásia, que é a mina Serra Verde.
“Temos grande expectativa em relação ao futuro da mineração do nosso Estado, especialmente com esses minerais críticos”, afirmou o governador Daniel Vilela. “Estamos empenhados em criar a melhor ambiência possível para que Goiás continue à frente da produção desses minerais. Nós, goianos, somos ousados. Queremos tornar referência e ter ainda maior relevância no Brasil e no mercado internacional”, garantiu o chefe do Executivo a Moraitis e Grossi.
O que são as terras raras
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos conhecidos por suas propriedades magnéticas e condutoras únicas. São utilizadas na produção de peças essenciais para novas tecnologias, como ímãs em carros elétricos, turbinas eólicas, além da utilização para produzir energia limpa.
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Proposta goiana
Daniel Vilela explicou que entende a necessidade de ações conjunturais de médio e longo prazo para que todas as etapas da produção sejam realizadas no estado, mas que a gestão estadual trabalha para oferecer as possibilidades à empresa. “Isso para que possamos ter rapidamente um aumento de escala de produção, garantindo a mineração sustentável, promovendo a qualificação do desenvolvimento social de Minaçu e do estado. Portanto, podem contar com nosso governo e com o governador”, garantiu.
Resposta
Segundo divulgou o governo, o CEO do grupo destacou a confiança no Governo de Goiás e elogiou a recepção em Minaçu, que deu provimento a várias capacidades da empresa. Afirmou que atualmente 70% dos empregados são mão de obra local e exemplificou que, só em abril, 90% dos recrutamentos da corporação foram na própria cidade. “Investimos mais de 1 bilhão de dólares nessa operação e vamos continuar esse relacionamento prestativo”, afirmou Thras Moraitis.
“Nós temos o carimbo de empresa americana, mas tudo que desenvolvemos foram brasileiros que fizeram. Então, a gente quer compartilhar um pouco desse conhecimento. Vamos mostrar que os brasileiros colocaram Goiás e o Brasil no mercado global de terras raras”, afirmou Ricardo Grossi.
Além deles, também participaram do encontro os diretores da Serra Verde Pedro Burnier (sustentabilidade e relações governamentais) e Pedro Rocha (financeiro); além dos secretários de estado Gean Carlo Carvalho (Geral de Governo), Joel Sant’Anna Braga (Indústria, Comércio e Serviços) e Andréa Vulcanis (Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável).
Produção goiana
Atualmente, a mina de Serra Verde é a responsável pela única extração comercial em larga escala de terras raras em operação no Brasil, com produção de até 5 mil toneladas por ano dos óxidos disprósio (Dy), térbio (Tb), neodímio (Nd) e praseodímio (Pr). No entanto, toda a matéria prima bruta é enviada para a China, onde é processada e, depois, enviada para o restante do mundo. A China concentra cerca de 50% das reservas mundiais dos minerais, mas domina mais de 90% da produção global.
A expectativa é que a fusão com a USA Rare Earth, Inc., empresa de terras raras listada na Nasdaq, para criar um líder global abrangendo elementos de terras raras, óxidos, metais e ímãs, terá um papel central no estabelecimento da primeira cadeia de suprimentos de terras raras da mina ao ímã fora da Ásia.
“Além do conhecimento pioneiro da Serra Verde em mineração e processamento de terras raras, a empresa combinada terá acesso a tecnologias de separação, processamento e fabricação de metais de primeira classe por meio de suas próprias operações e parcerias estratégicas, que abrangem os EUA e os seus aliados”, reforçou o governo estadual.
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