12 de agosto de 2026
ELEIÇÕES 2026

Damares deixa equipe de plano de governo de Flávio Bolsonaro, ampliando crise

Saída da ex-ministra ocorre em meio ao distanciamento do Republicanos, ataques de aliados bolsonaristas e desgaste na articulação da campanha de Flávio Bolsonaro
Senadora disse que já contribuiu - Foto: Roque de Sá / Agência Senado
Senadora disse que já contribuiu - Foto: Roque de Sá / Agência Senado

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) deixou a equipe que prepara o plano de governo do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente nas eleições desse ano. Damares contribuía com as propostas para a área de direitos humanos.

Damares é aliada de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem foi ministra e se tornou conhecida a ponto de se eleger ao Senado na primeira disputa eleitoral, em 2022.

No final de semana, a senadora disse que já fez “o que era preciso” na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro. “Agora é hora de se pedir voto,  de correr rua, de fazer evento, de fazer mesmo campanha”, citou a parlamentar ao portal Metrópoles.

Carta de Jair

O posicionamento veio em meio à repercussão da carta escrita sábado (10) por Jair Bolsonaro em reforço às pretensões eleitorais do filho Flávio com um tom de que somente a família Bolsonaro está no comando do cenário e que o senador é o único porta-voz.

Lida por Flávio Bolsonaro nas redes sociais, na carta o ex-presidente Jair defende que sua base deixe de lado “as possíveis diferenças” em prol do apoio ao nome do PL. O pano de fundo do pedido foi o rompimento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com os enteados, especialmente Flávio, acusado por ela de traição no episódio de formação de palanque do PL no Ceará, estado em que a legenda vai marchar em apoio ao pré-candidato Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual.

No início deste mês, a senadora Damares revelou ter sido alvo de uma onda de ataques nas redes sociais. Essas declarações, inclusive, vieram de aliados de Jair Bolsonaro. Um deles, o empresário bolsonarista Paulo Figueiredo chegou a chamar de “militante feminista” a ex-ministra de Jair Bolsonaro. A senadora disse que passou a receber ameaças contra sua integridade e até de sua filha.

Republicanos também está fora

O afastamento de Damares vem também no contexto em que o Republicanos passou a negar apoio fechado à candidatura de Flávio Bolsonaro, como mostrou o Diário de Goiás nesta segunda-feira (13). Em nota, o partido nega também que tenha negociado a garantia de que Marcos Pereira, presidente nacional da legenda, seria indicado a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo de Flávio.

A informação de que o apoio a Flávio estaria sendo negociado mediante indicação de Pereira ao STF foi publicada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, no último sábado (11). A vaga aberta seria a que é atualmente ocupada pelo ministro Luiz Fux, que vai se aposentar em 2028 do Supremo.


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