15 de julho de 2026
ÓDIO NAS REDES

Crescimento de racismo nas redes durante a Copa é assustador: 13 vezes mais, aponta FIFA

Levantamento mostra explosão de mensagens abusivas durante a fase de grupos; comentários racistas representaram 11% dos ataques
Dentro de campo "Lei Vini Jr" tem sido aplicada, mas nas redes explodem ataques racistas - Foto: reprodução
Dentro de campo "Lei Vini Jr" tem sido aplicada, mas nas redes explodem ataques racistas - Foto: reprodução

Um levantamento da FIFA divulgado esta semana mostra que as redes sociais ficaram muito mais hostis durante a fase de grupos da Copa do Mundo com aumento em 13 vezes no número de ataques virtuais em comparação com o torneio de 2022 – incluindo mensagens de cunho racista que chegaram a 11%.

Os dados fazem parte do monitoramento realizado pelo Serviço de Proteção de Redes Sociais (SMPS), criado para acompanhar publicações envolvendo jogadores, treinadores, árbitros e seleções, segundo apuração da agência Reuters divulgada pela Agência Brasil.

Aproximadamente 181 mil comentários de ódio precisaram ser ocultados das contas oficiais das seleções durante a fase de grupos.

Ataques em ritmo acelerado

Mais de seis milhões de postagens e comentários passaram pelo sistema da FIFA, um volume 33% superior ao registrado na Copa do Catar.

Depois da triagem inicial, aproximadamente 225 mil publicações foram avaliadas por moderadores. Ao final desse processo, 89 mil mensagens foram classificadas como abusivas, o que representa número 13 vezes maior que o observado em 2022.

O SMPS está disponível para todas as equipes, jogadores, treinadores e árbitros que participam dos torneios da FIFA. Seu objetivo é proteger esses profissionais e seus seguidores da exposição a conteúdo discriminatório e ofensivo.

“Lei Vini Jr.”

A situação nas redes não reflete o clima dentro de campo nas competições. Muito disso provavelmente pelo aumento do rigor da competição após a “Lei Vini Jr.”,  uma diretriz da FIFA que determina a expulsão imediata de jogadores que cobrem a boca com as mãos durante discussões ou confrontos em campo. A regra visa coibir xingamentos e crimes de racismo ou xenofobia, já que esconde as ofensas das câmeras.

A medida foi adotada pela entidade após episódios envolvendo o atacante brasileiro, como o caso em que o argentino Prestianni tapou o rosto para ofendê-lo em uma partida da Champions League.

Na atual Copa do Mundo, a regra tem sido aplicada com rigor pelo árbitro de vídeo (VAR). Foi o que ocorreu no início da Copa, envolveu o zagueiro equatoriano Piero Hincapié, expulso direto aos 49 minutos do segundo tempo após cobrir a boca ao discutir com o mexicano Santi Giménez. Anteriormente, o meio-campista paraguaio Miguel Almirón também recebeu o cartão vermelho pelo mesmo motivo na partida contra a Turquia.


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