26 de maio de 2022
Lênia Soares

CPI da Alego: Deu o que tinha que dar?

Não. Apesar de os deputados terem escancarado o jogo político de blindagem ao governador Marconi Perillo (PSDB) com a suspensão dos trabalhos, já que estão impedidos de investigar as prefeituras administradas pela oposição, a CPI da Assembleia Legislativa de Goiás continua em stand by.

 

Continua após a publicidade

Os parlamentares, membros da Comissão, nem ficaram vermelhos ao propor a suspensão das reuniões até que o mandado de segurança que proíbe as investigações das prefeituras de Aparecida de Goiânia e Catalão seja revisto – se for. O grupo que deveria trazer à luz provas do envolvimento, ou não, do Estado com o esquema criminoso liderado por Carlinhos Cachoeira, vestiu a camisa do jogo político demonstrando sua visão muito particular da ‘verdade’.

A decisão das “férias investigativas” foi tomada na terça-feira, 21, quando o presidente da CPI, deputado Hélio de Sousa (DEM), foi informado de que a Procuradoria Geral da Casa havia recebido um documento do desembargador Zacarias Neves Coelho, do Tribunal de Justiça de Goiás, concedendo às Câmaras Municipais das cidades que seriam investigadas, mandado de segurança impedindo a continuidade do processo.

Continua após a publicidade

A Assembleia Legislativa – que tem por função dar posse ao governador e ao vice-governador do Estado, bem como julgar as contas e crimes de responsabilidade do Executivo estadual, solicitando, se preciso, intervenção federal para garantir o cumprimento das constituições (federal e estadual), e ainda votar projetos de lei, nomear e demitir funcionários, dentre outras – resolveu lançar mão de suas prerrogativas e assumir o papel das Câmaras Municipais. Foi vetada.

Sem mais, o que resta são as justificativas. Quem se deu ao trabalho de explicar o pedido para a paralização dos trabalhos foi o deputado Túlio Isac (PSDB). Ele afirmou que não faz sentido a continuidade da CPI, já que o foco da investigação foi desviado. O presidente concordou com o argumento e colocou em apreciação a suspensão até que o contraditório, em relação a determinação da Justiça, possa ser analisado. Detalhe: a CPI era questionada justamente por desviar o foco, colocando na conta da investigação apenas inimigos políticos do governador, inclusive Câmaras, no que foi legalmente questionada.

O democrata deixou claro que os trabalhos podem ser retomados a qualquer momento. “É só a maioria solicitar o fim da suspenção”, disse. E quem deverá definir a volta, ou não, das reuniões matutinas no salão Sólon Amaral? A oposição do Estado. E consegue? Bem… Basta lançarem qualquer desagrado ao governador de Goiás para verem suas gestões voltarem ao centro das atenções. “Com ou sem mandado”, como prenunciou o presidente.

 

Enquanto isso…

O presidente da Assembleia, deputado Jardel Sebba (PSDB), ingressou com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando o impedimento para que o governador Marconi Perillo seja convocado a retornar à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Congresso Nacional.

Marconi prestou depoimento à Comissão, versão nacional, em junho, quando deu um “show de discurso”. O senador Randolfe Rodrigues (PSol – AP), no entanto, apresentou um novo requerimento pedindo sua convocação, já que o discurso apresentado pelo governador foi desconstruído após o surgimento de novas provas envolvendo-o com o contraventor Carlinhos Cachoeira. A tese do senador foi fortalecida após a revelação, há duas semanas, de que Andressa Mendonça, mulher do contraventor, sabia do uso de “laranjas” pelo grupo de negociações do marido no governo de Goiás.

Leia mais sobre:
Lênia Soares