19 de julho de 2026
Crise na saúde

Contrato emergencial tenta recompor atendimento na Maternidade Célia Câmara após falhas

Após falhas no atendimento e falta de médicos, SMS intensifica fiscalização, cobra plano de ação e firma contrato para recompor escalas
Frank Cardoso Barbosa Viana, assessor técnico da SMS, afirmou que a pasta intensificou a fiscalização para garantir o atendimento na maternidade. Foto: Altair Tavares/Diário de Goiás.
Frank Cardoso Barbosa Viana, assessor técnico da SMS, afirmou que a pasta intensificou a fiscalização para garantir o atendimento na maternidade. Foto: Altair Tavares/Diário de Goiás.

Após uma sequência de falhas na prestação de serviços médicos, a Prefeitura de Goiânia anunciou medidas emergenciais para recompor o atendimento na Maternidade Célia Câmara. O principal movimento foi a formalização de um novo contrato para gestão das escalas médicas, celebrado nesta terça-feira (31), com vigência de 150 dias, visando garantir a continuidade dos atendimentos e evitar desassistência à população.

Durante entrevista coletiva, o assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o médico Frank Cardoso Barbosa Viana, afirmou que a pasta já vinha monitorando a situação desde dezembro, mas que a fiscalização foi intensificada nos últimos dias diante do agravamento do cenário.

“A Secretaria Municipal de Saúde começou agora um acompanhamento mais próximo, ainda mais de perto, para entender melhor o que está acontecendo e para garantir que não haverá desassistência nessa unidade”, declarou.

Segundo ele, apesar das falhas registradas, não houve interrupção completa dos serviços. “Não houve abandono do serviço, não houve uma desassistência plena. Houve um certo desligamento de uma atividade ou de outra, mas a Secretaria atua para manutenção dos serviços mínimos”, explicou.

Transição entre empresas está sob apuração

Um dos pontos centrais da crise envolve a troca de empresas responsáveis pela prestação de serviços médicos. Questionado sobre a saída da equipe anterior, Frank afirmou que a responsabilidade pela contratação é da organização social gestora da unidade, e que o processo ainda será investigado.

“Essa organização da Organização Social para com a empresa médica é algo que ainda vai ser apurado pela Secretaria para que haja um entendimento dessa operação”, disse.

Ele também destacou que todas as medidas administrativas estão sendo avaliadas, inclusive eventuais penalizações ou até rescisão contratual, caso sejam constatadas irregularidades. “Todas as medidas estão em cima da mesa para avaliação e aplicação adequada”, afirmou.

Atendimento segue com apoio de outras unidades

Sobre a situação atual, a Secretaria informou que mantém equipes dentro da maternidade para garantir o funcionamento mínimo dos serviços, especialmente nas áreas de urgência e pronto atendimento. Ainda assim, outras unidades da rede municipal permanecem de prontidão para absorver demandas, caso necessário.

“Nesse momento, a Secretaria atua para manter o serviço na unidade, no entanto, as outras unidades também estão aptas a atender”, explicou Frank. Ele ressaltou que, em casos pontuais, pacientes podem ser transferidos para garantir segurança no atendimento, mas que a prioridade é manter a assistência dentro da própria maternidade.

Prazo e cobrança por normalização e concede prazo

A Prefeitura não detalhou publicamente um prazo fechado para a completa normalização do serviço, mas indicou que o novo contrato e o acompanhamento intensificado fazem parte de um plano de contingência para reestruturar a unidade no curto prazo.

A Secretaria também deve concluir, nos próximos dias, uma avaliação mais detalhada sobre as responsabilidades da organização social e das empresas envolvidas, o que poderá resultar em sanções administrativas.

O documento firmado entre a organização social responsável pela unidade, a Sociedade Beneficente São José de Herculândia, e a empresa Segato Serviços Médicos LTDA estabelece a gestão integral das escalas médicas da maternidade. O objetivo é assegurar a presença contínua de profissionais em setores críticos, como UTI neonatal, pronto atendimento obstétrico, centro cirúrgico e enfermarias.

De acordo com o contrato, a empresa deverá organizar plantões, coordenar equipes e garantir cobertura em especialidades essenciais, como ginecologia, obstetrícia, pediatria e anestesiologia. A medida surge como resposta direta às dificuldades recentes enfrentadas pela unidade, incluindo relatos de falta de médicos e sobrecarga de profissionais.

Entenda o caso

Data/PeríodoFatoDetalhes
Dez/2025Início do monitoramentoSMS começa a acompanhar a gestão da maternidade após mudanças operacionais
Fev/Mar 2026 (≈30 dias antes)Sinalização de saídaEmpresas médicas indicam possível saída da unidade
Últimas semanas de marçoAgravamento da criseRelatos de falta de médicos, sobrecarga e falhas nas escalas
Início da última semana de marçoFiscalização intensificadaSMS amplia presença após denúncias e notificações
30/03/2026Plano de contingênciaMedidas para evitar desassistência e apoio de outras unidades
31/03/2026 (manhã)Notificação oficialPrefeitura cobra normalização do atendimento até 15h
31/03/2026 (ao longo do dia)Transferência de pacientesCasos pontuais são encaminhados para outras unidades
31/03/2026Novo contrato firmadoGestão das escalas médicas é contratada por 150 dias
01/04/2026 (manhã)Reunião emergencialSMS exige plano de ação da organização social
01/04/2026 (tarde)Retomada do atendimentoUnidade volta a operar integralmente a partir das 14h
Situação atualAcompanhamento contínuoSMS mantém equipe na unidade e avalia possíveis sanções


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