O governador Ronaldo Caiado lançou nesta quinta-feira (5), no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia, um conjunto de ações e ferramentas voltadas à prevenção e ao combate à violência contra a mulher em Goiás. Entre as iniciativas anunciadas está a Operação Marias, que tem como objetivo cumprir medidas cautelares de prisão e mandados de busca e apreensão contra agressores.
Durante o evento, a coordenadora do Goiás Social e primeira-dama do estado, Gracinha Caiado, destacou que o enfrentamento da violência contra a mulher exige atuação integrada entre diferentes áreas do poder público. “Proteger as mulheres contra a violência não é apenas uma ação de segurança pública. É uma ação integrada do Estado. É preciso unir segurança, justiça, assistência social e oportunidades para que essas mulheres possam sair do ciclo de violência”, afirmou.
Segundo ela, diversas iniciativas já foram implementadas para ampliar a rede de proteção no estado. Entre elas está o aplicativo Mulher Segura, que já ultrapassou 20 mil downloads e registrou cerca de 5 mil ocorrências por meio da plataforma.
Gracinha também citou a criação de quatro batalhões Maria da Penha, a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e programas sociais que oferecem suporte às vítimas:
Temos programas como o aluguel social com prioridade para mulheres com medida protetiva e o Cartão Goiás Por Elas. Muitas vezes, a mulher violentada não tem sequer dinheiro para comprar comida e sair de casa. Esse apoio dá dignidade para que ela consiga romper esse ciclo de violência.
O lançamento ocorre em meio ao aumento de casos de feminicídio no país. Dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), mostram que o Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídio consumado ou tentado em 2025, um crescimento de 34% em relação ao ano anterior. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, o equivalente a quase seis mulheres mortas por dia no país. Em Goiás, o número de casos também subiu, passando de 56 para 59 registros, um aumento de 6,4%.
Feminicídio ainda é desafio
A primeira-dama avaliou que grande parte dos casos de feminicídio ocorre dentro da própria residência da vítima, o que dificulta a intervenção imediata do poder público.
“Infelizmente, o feminicídio acontece justamente no lugar que deveria ser mais seguro para a mulher, que é dentro de casa. Por isso incentivamos que elas denunciem e procurem ajuda nas delegacias e nas salas lilás, que foram criadas para oferecer acolhimento mais humanizado”, afirmou.
Ela também mencionou a mobilização realizada durante ações do Goiás Social, que têm reunido milhares de mulheres em busca de serviços, capacitação e oportunidades.
Responsabilidade compartilhada
O governador Ronaldo Caiado afirmou que o combate ao feminicídio exige mobilização de toda a sociedade e não pode ser tratado apenas como responsabilidade das forças de segurança. “Não é justo jogar apenas sobre a segurança pública os crimes de feminicídio. Você tem agentes comunitários de saúde, defensoria pública, Ministério Público, Tribunal de Justiça e associações de bairro. Todos precisam estar mobilizados nessa proteção à mulher”, declarou.
Segundo Caiado, o governo tem intensificado ações para responsabilizar agressores e ampliar a prevenção. “Se tem algo que temos tratado com a dureza necessária é exatamente contra esses covardes agressores. Temos batalhões Maria da Penha, um aparato cada vez mais qualificado e ações para chegar a tempo de proteger essas mulheres”, disse.
Cultura machista e prevenção
Para o governador, os altos índices de violência contra a mulher também estão ligados a uma cultura machista ainda presente na sociedade. Por isso, ele defendeu medidas preventivas e ações educativas. “Isso ainda se deve muito a uma cultura machista. Precisamos agir com firmeza, mas também antes que o feminicídio aconteça. O diagnóstico preventivo é fundamental”, afirmou.
Caiado também destacou que ampliou as ações de proteção às mulheres desde o início de sua gestão. “Antes, a proteção dependia apenas de decisão judicial. Hoje determinamos que nossas forças de segurança atuem imediatamente quando a mulher estiver em risco”, explicou.
Ele também incentivou a participação da sociedade nas denúncias de violência doméstica. “Muitas vezes o vizinho diz que não quer se meter em briga de marido e mulher. Eu digo o contrário: tem que denunciar. A ordem é clara, quem agride mulher será algemado”, concluiu.
FAQ – Principais ações de Goiás no combate à violência contra a mulher
O que é a Operação Mulheres 2026?
É uma ação integrada do Governo de Goiás para reforçar o combate à violência contra a mulher. A operação reúne Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal, Polícia Técnico-Científica e Guarda Civil Metropolitana, com ações preventivas, repressivas e educativas em todo o estado durante o mês de março.
Quais são as principais ações policiais da operação?
Entre as medidas estão o cumprimento de mandados de prisão contra agressores, prisões em flagrante, fiscalização de medidas protetivas, visitas preventivas a vítimas e monitoramento de autores de violência doméstica que utilizam tornozeleira eletrônica.
O que é a Operação Marias?
É uma ação da Polícia Civil voltada ao cumprimento de medidas cautelares de prisão e de busca e apreensão contra autores de violência doméstica e crimes sexuais, além do acompanhamento de medidas protetivas e ações de conscientização.
O que é o Projeto Laço Seguro?
Trata-se de uma iniciativa educativa com palestras itinerantes que orientam a população sobre prevenção da violência doméstica e fortalecem a rede de proteção às mulheres.
Como funciona a nova ferramenta de monitoramento da violência doméstica?
A plataforma reúne dados sobre ocorrências, vítimas e agressores para identificar padrões, áreas de maior risco e subsidiar políticas públicas de prevenção e combate à violência.
Quais recursos tecnológicos já existem para ajudar as vítimas?
O aplicativo Mulher Segura permite registrar ocorrências e pedir ajuda. Desde 2023, o app já ultrapassou 22 mil downloads e registrou mais de 4 mil boletins de ocorrência.
Quais estruturas de segurança foram ampliadas no estado?
Goiás ampliou o número de Batalhões Maria da Penha, fortaleceu as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e intensificou o acompanhamento de medidas protetivas.
Quais programas sociais apoiam mulheres vítimas de violência?
Entre as iniciativas estão o Goiás por Elas, que oferece auxílio financeiro de R$ 300 por mês durante um ano; o Aluguel Social, que prioriza mulheres com medida protetiva; e serviços de acolhimento, assistência social e psicológica.
Há ações de prevenção e conscientização?
Sim. O governo realiza campanhas educativas, capacitação de profissionais, palestras em empresas e escolas e projetos como o Maria da Penha nas Escolas e o Protocolo Todos Por Elas, voltado à proteção em bares e casas noturnas.
Existem serviços especializados de atendimento às vítimas?
O estado conta com Salas Lilás para atendimento humanizado e exames periciais, ambulatórios especializados de saúde e projetos de reconstrução física e psicológica para mulheres vítimas de violência.
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