28 de junho de 2022
Economia

Comércio tem alta de 19,4% em abril e produção industrial avança 3%, diz IBGE

Aparecida de Goiânia encerra o escalonamento regional. Foto: Sincopeças.
Aparecida de Goiânia encerra o escalonamento regional. Foto: Sincopeças.

O comércio varejista goiano cresceu 19,4% em maio de 2020, se comparado ao mês de abril (série com ajuste sazonal). O número, apontado por pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o melhor resultado desde o início da série histórica, em janeiro de 2000, porém, não reflete, necessariamente, um avanço e sim uma recuperação.

Se comparado a maio de 2019, no entanto, há queda de 7,4% do volume de vendas. Esta foi a terceira queda consecutiva e ficou acima da média nacional, de 7,2%. O dado mostra que o volume de vendas está crescente em relação ao mês passado, mas segue em queda em relação ao mesmo mês do ano anterior. A pandemia ainda afeta o comércio goiano e nacional, uma vez que o acumulado de 2020 ainda é negativo, tanto em Goiás (-6,8%) quanto no Brasil (-3,9%).

Segundo o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Goiás (Acieg), Leandro Resende, “o resultado de maio não é representativo avaliando isoladamente”. “É apenas uma pequena recuperação de um resultado péssimo de meses passados, talvez dois dos piores das últimas décadas para o comércio”, explicou.

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Goiás teve a terceira maior recuperação, atrás só de Rondônia e Paraná

Ele ressalta que “setores como roupas e acessórios registraram grande queda”. A expectativa é que não haja uma retomada rápida. “Esperamos um ciclo mais lento para voltar aos patamares do ano passado. Tivemos uma queda gigantesca em abril, que reduziu em maio e vamos diminuindo mês a mês. Vamos ter uma dificuldade de recuperar pela questão do desemprego, que afeta a massa salarial e então teremos menos pessoas consumindo ou consumindo em menor volume”, explica Resende.

Em junho, espera-se que a retomada continue em junho. A partir de julho, apesar adoção do isolamento intermitente, a Acieg está otimista. “Talvez não seja um mês comprometido por conta dessa última quinzena que estará aberta. Podemos ter um resultado favorável”, avalia o vice-presidente.

Indústria

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O levantamento também mostrou que a produção industrial de Goiás teve aumento de 3% em maio frente a abril. Foi a segunda alta consecutiva após retração de 2,5% em março. Se comparado a maio de 2019, o estado foi o único do país que avançou (1,5%). Todavia, na base de comparação de maio e abril deste ano, a indústria goiana ficou abaixo da média nacional, que cresceu 7%.

Na comparação com maio de 2019, a fabricação de produtos alimentícios cresceu 9,0%, maior alta de 2020 e maior taxa positiva desde maio de 2019 (16,4%). Os principais produtos que impactaram esse avanço foram açúcar VHP, açúcar cristal e óleo de soja refinado. “É um setor muito forte. Abastecemos o país o estado e até exportamos. O setor também não teve efeito negativo da Covid-19, pois não parou por ser essencial. O mesmo acontece com medicamentos”, destaca Resende.

Outros avanços importantes ocorreram nas Indústrias extrativas (24,9%), devido ao crescimento na produção de fosfatos de cálcio naturais, fosfatos aluminocálcicos e cré fosfatado, e pedras britadas, sendo a terceira maior taxa positiva da série histórica, e em metalurgia (12,5%), devido ao avanço nos três produtos investigados, ferronióbio, ouro em formas brutas para usos não monetários, e ferroníquel.

“A indústria não foi tão mal, pois muitas fábricas não precisaram fechar. A base trimestral mostra que a indústria só cresceu em Goiás. Num ano de pandemia, a indústria goiana cresceu. É um fato relevante”, explica o vice-presidente da Acieg.

Em contrapartida, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias manteve queda elevada (-84,0%), a segunda maior queda da série histórica em Goiás, devido à queda da produção de automóveis com motor a gasolina, álcool ou bicombustível, veículos para o transporte de mercadorias com motor diesel, e automóveis com motor diesel.

Apesar dos índices ruins, Resende está otimista para a recuperação do setor. “A produção recomeçou gradativamente. O consumo não paralisou. É um (setor) pouco mais lento para responder, mas não vai ser um gargalo para o resto do ano. Com as taxas de juros baixas como estão, as trocas de carro devem continuar. Vai chegar no ponto de equilíbrio. Estamos otimistas com a venda de carros para o resto do ano”, ponderou.

A fabricação de outros produtos químicos também continuou apresentando queda (-7,9%), após avanços significativos em fevereiro (22,5%) e março (17,0%). Também apresentaram queda em maio a Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-7,2%), Fabricação de produtos de minerais não-metálicos (-5,0%), Fabricação de coque, de produtos deriva dos do petróleo e de biocombustíveis (-3,9%), e Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-2,8%).