A renúncia do governador Cláudio Castro (PL), oficializada nesta segunda-feira (23), desencadeou um processo de eleição indireta para definir o comando do Rio de Janeiro até o fim do mandato. Sem vice-governador e com o presidente da Assembleia Legislativa afastado, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assumiu interinamente o governo.
Pela legislação, o interino tem prazo de dois dias para convocar a eleição indireta. Caberá aos 70 deputados estaduais escolher, em até 30 dias, o nome que ocupará o Palácio Guanabara até as eleições de outubro.
A sucessão atípica é resultado de uma cadeia de vacâncias. O vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025 ao assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado. Já o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, está afastado das funções, o que levou a linha sucessória ao Judiciário.
O movimento ocorre no mesmo momento em que o Tribunal Superior Eleitoral retoma o julgamento que pode cassar o mandato de Castro por abuso de poder político e econômico na eleição de 2022.
A renúncia também antecipa o calendário político no estado e desloca a disputa para dentro da Assembleia, onde a maioria governista tende a influenciar a escolha do nome tampão.
Rio: Além de novas eleições, ameaça de cassação pauta vida de Castro
Cláudio Castro deixou o cargo nesta segunda-feira (23), em movimento que antecipa a disputa por uma vaga no Senado e coincide com a retomada, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do julgamento que pode cassar seu mandato. A cerimônia de despedida foi realizada no Palácio Guanabara, com presença de aliados.
“Encerro o meu tempo à frente do governo do Estado de cabeça erguida e de forma grata”, afirmou Castro ao formalizar a saída. Reeleito em primeiro turno em 2022, com 4,9 milhões de votos, ele deixa o Executivo sob pressão jurídica.
O TSE retoma nesta terça-feira (24) o julgamento da ação que acusa o governador de abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição. Em novembro, a relatora do caso, ministra Maria Isabel Galotti, votou pela cassação do mandato e pela inelegibilidade por oito anos. O processo foi interrompido por pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, que agora apresenta voto.
Se a maioria acompanhar o entendimento da relatora, além da inelegibilidade, o estado poderá ter novas eleições diretas para o governo.
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