20 de maio de 2022
Publicado em • atualizado em 29/03/2022 às 22:18

Cansado de esperar, Vilmar Rocha disse o “não” para Meirelles

Antes de filiar Lissauer Vieira, o presidente do PSD fez um duro comunicado a Henrique Meirelles que cancelou coletiva sobre candidatura
Depois de defender Meirelles (esq.), Vilmar Rocha (dir.) deu o cartão vermelho para o secretário da Fazenda de São Paulo (foto Marcelo Casal Abr e divulgação)
Depois de defender Meirelles (esq.), Vilmar Rocha (dir.) deu o cartão vermelho para o secretário da Fazenda de São Paulo (foto Marcelo Casal Abr e divulgação)

A sequência dos fatos das últimas horas tem um ponto crítico (ou ponto da virada, como se diz no cinema): O momento que o presidente do PSD, Vilmar Rocha, comunicou a Henrique Meirelles que o partido não tinha mais interesse na candidatura do secretário da Fazenda para senador por Goiás. Depois de passar meses e meses dizendo que esta era a prioridade, agora a ideia é diferente.

Fontes consultadas pelo blog confirmaram que Rocha justificou que o tempo do anúncio da candidatura com a confirmação da desincompatibilização do cargo de Meirelles no governo paulista havia acabado. Na prática, o partido cansou de esperar. Ele reagiu à reclamação de pré-candidato de que não recebeu sinais de participação no fundo partidário para a organização da campanha.

O PSD recebeu promessas de Meirelles de que a desincompatibilização seria feita no começo de 2022 e esperou, mas não aconteceu. O partido observou, ainda, que a estrutura de campanha não foi implantada. Este é um sinal claro, segundo algumas fontes consultadas, de que as especulações sobre a desistência estariam em consolidação.

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Vilmar fez o comunicado e, ato sequinte, fez um evento da filiação do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira, ao PSD. Mesmo que ele dissesse que não “seria candidato a nada”, ficou uma impressão de que este ato é a sequência de um anúncio posterior alinhado com a chapa do governador Ronaldo Caiado (UB).

Na entrevista coletiva, Vieira reforçou que ajudou o chefe do Executivo a reorganizar o Estado de Goiás e, por isso, tem compromisso político com ele. Meirelles não percebeu que o presidente da Assembleia está formatando as chapas proporcionais junto com o MDB e com o União Brasil de Caiado. Ou seja, o acordo da chapa já não passava pelo pré-candidato ao Senado há muito tempo.

Ato posterior, Meirelles suspendeu a entrevista coletiva que daria e que anunciaria a candidatura a Senador. No entanto, resolveu pela suspensão e retornar ao Estado de São Paulo. Havia, então, a indicação de que ele formalizaria a desistência, mas, agora, dá sinais de resistência.

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Na prática, Meirelles tem como opção buscar uma outra filiação partidária para manter o projeto da candidatura ao Senado. E, resta absorver o que pode ser entendido por ele como uma traição.

Conste em ata: Vilmar Rocha mantém o telefone desligado e está usando outro aparelho para falar das articulações.

Altair Tavares

Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista político.