03 de março de 2024
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O fogo amigo de Bruno Peixoto, Gustavo Mendanha e Ana Paula Rezende na base de Caiado

O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, deputado estadual Bruno Peixoto (União Brasil); o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (Patriota) e a empresária Ana Paula Rezende (MDB). Fotos: Denise Xavier/Alego/Rodrigo Estrela/Secom/Montagem Diário de Goiás
O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, deputado estadual Bruno Peixoto (União Brasil); o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (Patriota) e a empresária Ana Paula Rezende (MDB). Fotos: Denise Xavier/Alego/Rodrigo Estrela/Secom/Montagem Diário de Goiás

A eleição de Goiânia já está quente e acirrada. Mas não em sentido amplo. Está em clima de guerra só num ponto, um grupo, uma trincheira: a base do governador Ronaldo Caiado.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Bruno Peixoto, age como quem nada tem a perder, porque já tem muito: a presidência do Legislativo e o poder agregado ao cargo. Em campanha aberta, aliados seus atiram em quem está na frente.

O alvo principal: Ana Paula, filha do casal Iris e Íris (que nunca se apresentou como “Ana Paula do Iris”, diga-se). Correndo de um lado a outro, Gustavo Mendanha.

A legislação, hoje, impede Mendanha de ser candidato, por ter sido eleito e reeleito na vizinha Aparecida. Seu sonho: o resultado positivo de uma consulta que abra caminho para a disputa. Será que será?

Pelo sim, pelo não, Gustavo se mexe daquiprali como quem tem certeza de que poderá ser candidato, mas podendo não ser, quem sabe, talvez. Se der certo bem, se não der, o lado já tem.

Ana Paula é cobrada para agir como os profissionais, dando declaração em cima de declaração, reunindo-se com todo mundo, agindo como se a eleição fosse semana que vem. Bom pra ela? Não. Bom pros adversários internos.

Querem que Ana Paula jogue o jogo deles. Ela, que fez escola com os pais, toca as coisas no seu ritmo. Sabe que não será candidata de si mesma, mas nem por isso se dobra ao fogo que começa a chegar com mais intensidade.

Fogo amigo é o que mata. A regra é clara e antiga no meio político. O governador Ronaldo Caiado assiste a tudo como quem vê o circo pegar fogo, sem se intrometer. Mangueiras de água e querosene logo à mão. Deve pensar com seus botões: “Arrocha!”

E Daniel Vilela, vice-governador e presidente do MDB de Gustavo e Ana Paula, e de onde Bruno saiu para ir para o União Brasil do governador? Daniel espera 2026 chegar.

Na filiação do prefeito de Aparecida, Vilmar Mariano, ao MDB, Daniel até fez um aceno ao presidente da Assembleia, convém lembrar. Disse que Bruno Peixoto “está emprestado ao União Brasil”. Emprestado.

Nesse meio tempo, o prefeito Rogério Cruz vai dando pinta de melhora na imagem. Aqui e ali acerta as pontas da gestão. Está tentando fazer a sua parte para se viabilizar. Não é tarefa fácil. Mas com os inimigos se implodindo, as chances aumentam.

Anima-se também a direita representada pelo senador Wilder Morais e o deputado federal Gustavo Gayer.m (ambos PL). E a esquerda, com a igualmente deputada federal delegada Adriana Accorsi (PT)

Os dois têm capital político. Numa dessas, levantam bandeiram e reeditam a polarização nacional em Goiânia.

E tem Vanderlan Cardoso (PSD), que está em plena organização bélica para tentar mais uma vez a prefeitura da Capital. E para ele a guerra é de vida ou morte política. O seu mandato já vai do meio para o fim e as alternativas de sobrevivência se encurtaram.

Enquanto os amigos brigam, os inimigos do governador se aprontam. Tá divertido.

Vassil Oliveira

Jornalista. Escritor. Consultor político e de comunicação. Foi diretor de Redação na Tribuna do Planalto, editor de política em O Popular, apresentador e comentarista na Rádio Sagres 730 e presidente da agência Brasil Central (ABC), do governo de Goiás. Comandou a Comunicação de Goiânia (GO) e de Campo Grande (MS).