16 de julho de 2026
Publicado em • atualizado em 06/07/2026 às 17:10

O Brasil vive do passado enquanto o mundo da bola evolui

Brasil x Noruega - Copa do Mundo 2026 (Foto - Rafael Ribeiro)
Brasil x Noruega - Copa do Mundo 2026 (Foto - Rafael Ribeiro)

“Somos o país do futebol”: Por muito tempo, essa frase foi uma realidade. O Brasil construiu sua história como único pentacampeão mundial, revelou gênios, encantou gerações e virou referência para o planeta bola. Mas o último título ficou em 2002. De lá para cá, o que temos é uma sequência de eliminações e frustrações.

Em 2006, caímos para a França nas quartas. Em 2010, para a Holanda, também nas quartas. Em 2014, veio o 7 a 1 para a Alemanha. Em 2018, a Bélgica nos tirou novamente nas quartas. Em 2022, foi a Croácia. Agora, em 2026, a eliminação veio diante da Noruega, ainda nas oitavas de final. Mais uma queda para uma seleção europeia. Mais um ciclo encerrado antes do esperado. E o Brasil caminha para completar 28 anos sem conquistar uma Copa do Mundo.

Estamos ficando para trás e o primeiro passo é reconhecer: o futebol europeu cresceu, evoluiu e hoje pratica o melhor futebol do mundo. Enquanto isso, o futebol brasileiro estagnou. A África evoluiu. A Ásia evoluiu. Na América do Sul, a Argentina voltou a dominar, a Colômbia cresceu e outras seleções também passaram a competir melhor. Ter um Campeonato Brasileiro mais forte que o argentino, o paraguaio ou o equatoriano não traz Copa do Mundo para o Brasil.

A Europa aprendeu. Contratou sul-americanos, africanos, asiáticos, filtrou a nata do futebol mundial, colocou esses jogadores em suas ligas e absorveu conhecimento. Aquele futebol de balão, imposição física, de chuveirinho, tão comum em outras décadas, ficou para trás. Hoje, seleções europeias são organizadas, intensas, técnicas e taticamente preparadas.

A Noruega talvez seja inferior ao Brasil do ponto de vista técnico individual – quando olhamos o geral. Mas foi organizada, soube trocar passes, entendeu os momentos do jogo e teve eficiência. O Brasil, com empáfia e nariz empinado, pareceu acreditar que a Noruega não seria páreo em um mata-mata. Pagou o preço.

Neymar entrou sem a condição física ideal. E olha que não questiono a convocação do atacante. Se eu fosse Carlo Ancelotti, também teria levado o jogador do Santos. Mas ele se apresentou com problemas físicos, que foram escondidos da CBF. Não conseguiu se recuperar 100% e, quando entrou com o placar em 0 a 0, não produziu o que se esperava. Pelo contrário: a Seleção Brasileira caiu de rendimento.

Do outro lado, apareceu Haaland. Um camisa 9 letal, destaque no futebol europeu, exatamente o tipo de jogador que o Brasil não tem. A Noruega também tem Odegaard, um camisa 10 de alto nível, outro perfil que falta à Seleção Brasileira. Quando um time tem um 9 decisivo e um 10 organizador, e o outro não tem essas peças, fica mais fácil entender por que estamos voltando para casa enquanto a Copa do Mundo continua.

Vem aí um novo ciclo. Alguns jogadores vão se despedir da Seleção Brasileira, outros surgirão e representarão a renovação que toda geração exige. Mas, antes de pensar em nomes, o futebol brasileiro precisa mudar a forma de pensar. É preciso ter humildade para reconhecer que deixamos de ser referência e que hoje temos muito mais a aprender do que a ensinar.

A Europa fez exatamente isso décadas atrás: observou quem jogava melhor, absorveu conhecimento, modernizou seus métodos e evoluiu. Se o Brasil continuar preso ao passado, vivendo apenas da história e do peso da camisa, dificilmente voltará a ser protagonista em uma Copa do Mundo. A tradição continua sendo motivo de orgulho,só que não entra em campo. O que decide títulos é organização, evolução e a capacidade de reconhecer os próprios erros para voltar a crescer.