18 de abril de 2024
Publicado em • atualizado em 08/12/2023 às 14:20

E o bom senso, onde fica?

Na era digital, com a rapidez e sensação de proximidade que as redes sociais trouxeram, bom senso e noção se tornaram artigos de luxo. Pura raridade. As pessoas perderam completamente o tato e o traquejo social. Se sentem íntimas apenas por acompanharem parte das vidas das outras por fotos. Horário comercial para tratar de assuntos profissionais sequer existe mais. Comentar sobre o que pensa da roupa, da aparência e do modo de vida do outro é livre e sem filtro. Atrás de uma tela, a vergonha se perdeu e os sem noção tomaram espaço, e o pior, coragem.

Não que essas pessoas não saibam que não é de bom tom. Até sabem, mas ignoram. A tela do celular mascarou nossas relações de troca, minou o bom senso e amplificou as interações sociais, mesmo a contragosto. Não há barreiras quando se está online. Ai de você se não responder de imediato.

A internet aproximou pessoas, mas também afastou um dos itens mais indispensáveis para a saúde mental: a solitude. Temos a falsa sensação de estarmos rodeados de gente o tempo todo, com um turbilhão de informações e necessidades urgentes. Perdeu-se a calmaria de encerrar o trabalho, as obrigações e questões sociais ao final do expediente. Com o celular na mão, toda hora é hora. Não importa se você está no seu momento de paz e relaxamento.

É tudo aqui e agora. O like, a fofoca, o comentário, o engajamento, a resposta – na palma da mão. E o bom senso, onde fica? Onde foi parar a reflexão do “agora não é hora”, “não é tão urgente que não possa ser resolvido amanhã”, “não vou comentar, porque jamais falaria isso pessoalmente”? Para onde foi eu não sei. Só sei que assumiu o lugar do filtro que ditava as regras de convívio social, a etiqueta que gerenciava minimamente os acordos diplomáticos. Constrangimento é algo que vem só para quem recebe, quem direciona jamais se afeta.

A saída então é botar limites, como uma catraca invisível que barra e educa os sem noção de plantão. Apesar de toda a liberdade que as redes sociais trouxeram, é preciso selecionar bem o que escolhemos dividir com os outros, o que aceitamos que nos digam, comentem e exponham. Mensagem depois do horário estabelecido, que não seja urgente, finjo que não recebi. Pepino para resolver após o expediente, deixo para descascar amanhã. Opinião não solicitada, deleto assim que chega. O bom senso geral, se alguém achar, me avise, tem muita gente precisando.

Luana Cardoso Mendonça

Jornalista em formação pela FIC/UFG, Bióloga graduada pelo ICB/UFG, escritora e eterna curiosa. Compartilho um pouco do mundo que eu vejo, ouço e vivo, em forma de palavras, afinal, boas histórias merecem ser contadas