A frase, curta e objetiva, resume o espírito da consulta feita ao presidente do PSD em Goiás, Vanderlan Cardoso, antes da filiação de Ronaldo Caiado à legenda.
Não houve ressalvas, tampouco condicionantes. Houve leitura política.
A consulta ocorreu antes da reunião em São Paulo, realizada na casa de Kassab, que oficializou a entrada de Caiado no PSD, ao lado de Eduardo Leite e Ratinho Júnior. O gesto, por si só, já indicava que não se tratava de uma filiação protocolar, mas de um movimento com densidade nacional e repercussões diretas nos estados.
Ao responder que a filiação era “boa para o partido”, Vanderlan Cardoso não apenas autorizou politicamente o movimento, como sinalizou compreensão do novo equilíbrio de forças.
A presença de Caiado no PSD fortalece a legenda em Goiás, amplia o seu peso institucional e altera, de maneira inevitável, a dinâmica interna do partido.
A pergunta que surge imediatamente é sobre a direção estadual do PSD. Hoje, o comando está formalmente sob a presidência de Vanderlan, mas o ingresso de um governador em pleno exercício do mandato cria uma nova realidade. Não por imposição, mas por lógica política. Partidos se organizam em torno de quem detém poder real, votos e capacidade de articulação.
Falta, portanto, uma reunião entre Caiado, Kassab e Vanderlan para definir os próximos passos. A agenda está combinada, mas sem data definida.
Este encontro não será apenas administrativo. Será político. É natural que Ronaldo Caiado queira influenciar, ou mesmo assumir, a direção da agremiação em Goiás. Assim como é natural que o partido, diante dessa nova correlação de forças, caminhe para a reformulação da comissão provisória.
Nada disso, até aqui, indica conflito. Pelo contrário. A fala de Vanderlán sugere maturidade política e leitura estratégica. Ao não criar obstáculos, ele preserva espaço de negociação e mantém protagonismo no processo. O PSD, por sua vez, ganha um governador competitivo, com capital eleitoral próprio e projeção nacional.
Nos bastidores, a filiação de Caiado não encerra um capítulo, mas abre outro. A disputa não é se haverá mudanças na direção do partido em Goiás, mas como elas ocorrerão e em que ritmo. A resposta virá da política, como quase sempre acontece: sentados à mesa, com cálculo, pragmatismo e interesses claramente postos.
Altair Tavares
Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista de política e vários outros assuntos. Pós-graduado em Administração Estratégica de Marketing e em Cinema. Professor da área de comunicação. Para contato: altairtavares@diariodegoias.com.br .

