18 de abril de 2024
Publicado em • atualizado em 22/12/2023 às 14:28

Dezembrite e a tristeza natalina

Final de ano nem sempre é só festa e alegria. A época de renovação e celebração, para muitos, também vem regada de nostalgia e aquela típica tristeza natalina. Os festejos do nascimento do menino Jesus podem trazer junto a lembrança da ausência dos que já se foram, e até mesmo a morte do que nós já fomos um dia. A tristeza de final de ano existe, e o nome dela é dezembrite.

A simbologia do final de um ciclo, a falta de alguém que já se partiu e agora não participa mais dos festejos familiares e a tal saudade do que foi vivido, costumam pegar mais forte nessa fase do ano. Por mais que pareça que não, é normal, e comum, que nem todo mundo esteja animado e feliz com o findar de mais um ciclo repleto de realizações e coisas boas.

Mesmo que haja motivos para agradecer e comemorar, a tristeza natalina bate. Apesar da culpa por se sentir triste em uma época que deveria ser de alegrias e comemorações, é importante entender que faz parte do processo e existe para muitas pessoas. Com os anos, pode ser que a representatividade do Natal se transforme e se ressignifique, que o que antes era considerada a melhor época do ano, seja vista como parte da lembrança do que foi e não é mais, por vários motivos. A gente cresce e as coisas mudam ao longo da vida. 

Independente de estar sozinho ou cercado de pessoas, no Natal, a nostalgia vai mandar um oi e te lembrar do que você fez nos natais anteriores, vai te recordar de versões de vida que não existem mais, vai intensificar a saudade, trazer aconchego ou sensação de não pertencimento, vai mostrar que a vida é cíclica, a gente se transforma, muda, mas sempre volta para o ponto de partida. É importante pensar que, mesmo que a tristeza natalina exista e seja algo real e palpável, ela nos retorna à nossa humanidade, e que, assim como Jesus nasceu bem após um perrengue danado de Maria em uma manjedoura, algo novo em nós também pode nascer em meio aos sentimentos ruins, para um ano novo melhor e mais feliz. A dezembrite também passa, logo que o ano vira.

Luana Cardoso Mendonça

Jornalista em formação pela FIC/UFG, Bióloga graduada pelo ICB/UFG, escritora e eterna curiosa. Compartilho um pouco do mundo que eu vejo, ouço e vivo, em forma de palavras, afinal, boas histórias merecem ser contadas