15 de julho de 2024
Publicado em • atualizado em 17/05/2024 às 15:45

Deixa o futuro para o futuro

Como boa ansiosa que sou, com a cabeça sempre à frente, já de olho no futuro, vira e mexe me meto em querer jogar cartas, consultar o tarot, estar atenta aos sinais, saber das possibilidades que podem acontecer. Eis que, numa dessas, me dei mal. As respostas positivas que esperava não vieram. Minha mente, que já era ansiosa por si só, se pôs mais ansiosa ainda com as previsões ruins que me aguardavam. 

Dizem que é por essas e outras que não se pode querer saber do futuro. O futuro a nós não pertence, precisa ser traçado, escrito. No agora ele sequer existe. O que soube me trouxe mais angústia e me fez também questionar as respostas negativas que as cartas mostraram. 

“O tarot nunca erra”, me garantiu a oraculista. Minha esperança era de que errasse sim, errasse muito, para que a confirmação positiva que eu buscava viesse. Na espiritualidade não funciona assim. Quem pergunta precisa ter coragem suficiente para ouvir a resposta, independente do que seja. Pela primeira vez, foi ruim, e só restou a mim lidar com isso. 

Pesquisei as cartas, joguei de novo o tal baralho, consultei outra profissional do ramo, e novamente, a resposta esperada não veio. Mas dessa vez, um conselho: “as energias mudam”. Nos casos em que as previsões se transformam, não é que as cartas mentiram ou erraram, as energias simplesmente mudaram, outras escolhas foram feitas, as decisões tomadas levaram a rumos diferentes. Na vida, cabe a cada um o livre-arbítrio, que pode moldar os resultados finais conforme as direções tomadas. Me apeguei às novas possibilidades.

Decidi que independente da resposta das cartas, eu continuaria caminhando, mesmo com medo de que as previsões ruins se concretizassem. Pelo meu livre-arbítrio e sensatez da taróloga, que me disse para não tomar atitudes precipitadas baseadas somente no jogo, entendi que o futuro é algo que precisa ser ainda construído e se eu nem decidi ainda como chegar até lá, como pode ele ser algo concreto?! 

Como lição, ficou o aprendizado para nunca mais querer saber do futuro, mesmo que seja na intenção de encontrá-lo totalmente preparada. A minha necessidade de controle só me mostrou que no final a gente não controla nada. Por medo de ser negativamente surpreendida mais à frente, acabei por antecipar a decepção. Que ironia. O futuro não existe, e quando ele chega, já passou. O certo mesmo é ir vivendo. 

Luana Cardoso Mendonça

Jornalista em formação pela FIC/UFG, Bióloga graduada pelo ICB/UFG, escritora e eterna curiosa. Compartilho um pouco do mundo que eu vejo, ouço e vivo, em forma de palavras, afinal, boas histórias merecem ser contadas