09 de agosto de 2026
Publicado em • atualizado em 30/07/2026 às 08:53

Daniel tem margem para vencer no primeiro turno, como previa Caiado

Daniel Vilela (MDB, à esquerda) acumula percentual que pode repetir o feito de Ronaldo Caiado (UB, à direita) nas eleições de 2018 e 2022 (foto divulgação)
Daniel Vilela (MDB, à esquerda) acumula percentual que pode repetir o feito de Ronaldo Caiado (UB, à direita) nas eleições de 2018 e 2022 (foto divulgação)

Ronaldo Caiado repetiu mais de uma vez que Daniel Vilela poderia vencer a eleição para o governo de Goiás ainda no primeiro turno. Para alguns, era apenas o discurso esperado de quem precisava animar a base, transmitir confiança aos aliados e consolidar a candidatura do sucessor. A nova pesquisa para goverandor dor Goiás da Genial/Quaest mostra que a previsão de Caiado não é apenas uma frase de efeito de palanque eleitoral, pois é uma ser uma possibilidade concreta a poucos de dias da reta final da campanha eleitoral.

Não significa que a eleição esteja encerrada. Não está mesmo. Também não significa que Daniel já tenha assegurado mais de 50% dos votos válidos que serão depositados nas urnas. Há campanha pela frente, uma parcela expressiva do eleitorado ainda não escolheu candidato e os adversários terão tempo para reagir, se tiverem inteligência e estratégia eleitoral.

Mas os números indicam que Daniel se encontra próximo da linha necessária e segura para evitar o segundo turno, considerando a margem de erro, e ele se aproxima do feito político de Caiado nas vitórias de primeiro turno de 2022 e 2018.

Na pesquisa estimulada, ele aparece com 37% das intenções de voto. Marconi Perillo tem 21%, Wilder Morais registra 11%, Luis Cesar Bueno alcança 3% e Cíntia Dias, 1%. Luciana Amorim não pontuou. Outros 20% estão indecisos, enquanto 7% afirmam que votarão em branco, anularão o voto ou não comparecerão.

A Quaest ouviu 1.104 eleitores de Goiás, presencialmente, entre 24 e 28 de julho. A margem de erro estimada é de três pontos percentuais.

A primeira leitura é evidente: Daniel lidera com 16 pontos de vantagem sobre Marconi e tem uma diferença de 26 pontos em relação a Wilder. Mas há um dado ainda mais importante. Somados, Marconi e Wilder chegam a 32%. Daniel, sozinho, tem 37%.

Isso já revela uma vantagem politicamente relevante. O líder possui mais votos do que seus dois principais adversários reunidos.

A conta dos votos válidos deixa o cenário ainda mais interessante. Os candidatos apresentados pela pesquisa somam 73% das respostas. Quando se retiram os indecisos, os brancos, os nulos e os que não pretendem votar, Daniel fica com pouco mais de 50% dos votos atualmente atribuídos a algum candidato.

É uma projeção, não um resultado eleitoral antecipado.

Os 20% de indecisos não serão necessariamente distribuídos na mesma proporção dos votos já declarados. Uma campanha eleitoral não é uma equação imóvel. Ela produz fatos novos, amplia o conhecimento dos candidatos, desperta rejeições, altera prioridades e pode mudar o humor do eleitor.

Ainda assim, há uma conclusão que não pode ser ignorada: neste momento, Daniel está na fronteira matemática de uma vitória em primeiro turno.

A afirmação de Caiado, portanto, começa a encontrar sustentação nos dados.

A força de Daniel não nasce apenas de sua candidatura. Ela está diretamente ligada ao ambiente político construído pelo governo estadual. Caiado terminou sua passagem pelo Palácio das Esmeraldas com aprovação de 87%, segundo a Quaest. Apenas 7% desaprovam o trabalho realizado.

É um nível de aprovação extraordinário para qualquer governo, ainda mais depois de dois mandatos e de tantos conflitos que naturalmente surgem durante oito anos de administração.

Mais do que aprovar Caiado, 71% dos eleitores afirmam que ele merece eleger o sucessor que indicar. Somente 19% discordam.

Este talvez seja o dado político mais valioso de toda a pesquisa.

Daniel não aparece apenas como candidato de uma aliança partidária. Ele foi colocado no imaginário do eleitor como representante da continuidade de um governo amplamente aprovado. A transferência de votos nunca é automática, mas existe um terreno especialmente favorável para que ela ocorra.

Caiado possui aprovação. Daniel ocupa o espaço de sucessor. A base governista tem capilaridade municipal. E a oposição ainda não encontrou um discurso capaz de romper essa conexão.

O desejo de continuidade também aparece de forma clara. Para 36% dos entrevistados, o próximo governador deve continuar o trabalho que vem sendo realizado. Outros 41% querem que sejam modificadas apenas as áreas que não funcionam bem. Somente 18% defendem uma mudança completa.

Somando os que desejam continuidade integral aos que preferem ajustes pontuais, chega-se a 77% do eleitorado.

Ou seja: a grande maioria não quer uma ruptura com o governo atual.

Esse cenário cria para Daniel uma posição política confortável, mas também exige inteligência. Ele não precisa se apresentar como uma cópia de Caiado. Aliás, não deve. O eleitor demonstra que aprova o governo, mas também quer correções onde houver problemas.

A mensagem mais adequada não é simplesmente “continuar tudo”. É preservar os resultados reconhecidos pela população e apresentar uma nova etapa administrativa.

Daniel precisa ser o candidato da continuidade sem parecer dependente. Precisa receber o patrimônio político de Caiado e, ao mesmo tempo, convencer que possui personalidade, método e projeto próprios.

Até aqui, os números indicam que essa operação está funcionando.

Daniel lidera entre homens e mulheres, entre jovens, adultos e idosos. Obtém 34% no eleitorado feminino e 38% no masculino. Tem 35% entre os eleitores de 16 a 34 anos, 37% entre os que possuem de 35 a 59 anos e 36% entre os que têm 60 anos ou mais.

Também não está restrito a um segmento religioso. Atinge 40% entre os católicos e 36% entre os evangélicos.

Essa distribuição relativamente uniforme é importante porque mostra que não se trata de uma candidatura apoiada apenas em um nicho. Daniel apresenta força em diferentes grupos sociais e demográficos. Para vencer no primeiro turno, não basta dominar uma parcela do eleitorado. É necessário construir uma maioria ampla. Ele começa a reunir essa condição.

O desempenho por posicionamento político talvez seja ainda mais revelador.

Daniel tem 37% entre os eleitores que se declaram independentes, 40% entre os eleitores de direita não bolsonarista e 39% entre os bolsonaristas. Entre lulistas, aparece com 30%, empatado com Luis Cesar Bueno e abaixo de Marconi, que alcança 39%.

Mesmo sem liderar entre os lulistas, Daniel consegue circular por campos ideológicos diferentes. Isso reduz o risco de ficar preso a uma única identidade nacional.

Wilder Morais deveria ter vantagem natural entre eleitores bolsonaristas. No entanto, registra 26% nesse grupo, contra 39% de Daniel. Entre os eleitores de direita não bolsonarista, Wilder tem 19%, enquanto Daniel chega a 40%.

Esse é um problema sério para o candidato do PL.

Wilder possui uma marca partidária forte e pode crescer com a nacionalização da campanha. Mas, por enquanto, não conseguiu transformar a associação com o bolsonarismo em liderança eleitoral dentro da própria direita goiana. Daniel ocupa parte desse espaço graças à força de Caiado, ao desempenho do governo e à estrutura política da base.

Marconi enfrenta outro tipo de obstáculo.

Seus 21% não são desprezíveis. Ele continua sendo o adversário mais competitivo, conserva um eleitorado conhecido e possui experiência de campanha. Não pode ser tratado como candidato irrelevante.

Mas, para avançar, Marconi precisa convencer o eleitor de que Goiás deseja encerrar o ciclo iniciado por Caiado. A pesquisa aponta justamente o contrário. A aprovação do governo é alta, a rejeição à ruptura é ampla e a maioria considera que Caiado merece eleger o sucessor.

Marconi representa uma experiência política anterior. Daniel representa a continuidade do presente.

Neste momento, o presente leva vantagem.

Os cenários de segundo turno reforçam essa leitura. Daniel venceria Marconi por 52% a 28%. Contra Wilder, ganharia por 54% a 16%. Nos dois casos, ultrapassa a maioria absoluta das intenções totais de voto, e não apenas dos votos válidos.

Essa vantagem tem consequências práticas. Política também se move pela percepção de poder. Prefeitos, deputados, vereadores e dirigentes partidários observam as pesquisas antes de definir o grau de envolvimento em uma campanha.

Quando um candidato aparece como favorito, cresce sua capacidade de reunir aliados. E quanto mais aliados reúne, maior tende a ser sua força eleitoral.

É um processo de retroalimentação.

Daniel entra na fase decisiva da disputa com a maior coalizão, o apoio de um governo muito bem avaliado e uma vantagem consolidada nas pesquisas. Os adversários precisam impedir que essa percepção de favoritismo se transforme em inevitabilidade.

Mas há riscos para o candidato governista.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados, Daniel aparece com 13%. Marconi tem 3% e Wilder, 2%. O principal número, porém, é outro: 80% não sabem em quem votar espontaneamente.

Isso mostra que a eleição ainda não entrou plenamente na cabeça do eleitor.

Daniel lidera quando seu nome é apresentado, mas ainda precisa construir uma associação mais forte entre sua identidade e a escolha para governador. O voto estimulado é importante, porém a lembrança espontânea mede o grau de consolidação da candidatura.

A campanha terá de transformar reconhecimento em vínculo.

Há ainda a volatilidade eleitoral. Entre os eleitores de Daniel, 57% dizem que o voto é definitivo. Outros 42% admitem que ainda podem mudar. O resultado é melhor do que o de Marconi, que possui 43% de votos definitivos, mas mostra que uma parte relevante da liderança de Daniel ainda precisa ser protegida.

Quatro em cada dez eleitores que hoje escolhem Daniel não fecharam completamente a porta para outra candidatura.

A pesquisa também revela espaço para crescimento. Daniel é conhecido e poderia receber o voto de 50% dos entrevistados. Outros 30% ainda não o conhecem, enquanto 20% afirmam conhecê-lo e não votar nele.

Essa combinação é favorável. A rejeição é relativamente baixa e há um contingente expressivo a ser conquistado. O desafio é fazer com que o aumento de conhecimento resulte em voto, e não em rejeição.

É aí que a campanha será testada.

A vitória em primeiro turno não dependerá apenas de Daniel manter os 37%. Ele terá de avançar sobre os indecisos e, ao mesmo tempo, evitar que Marconi e Wilder cresçam o suficiente para retirar dele a maioria dos votos válidos.

Também precisará equilibrar a relação com a eleição presidencial. A Quaest mostra que 41% gostariam que o próximo governador fosse independente, 33% preferem um aliado de Bolsonaro e 21% desejam um aliado de Lula.

O maior campo disponível não é o lulismo nem o bolsonarismo. É a independência.

Daniel tem condições de ocupar esse lugar porque sua força vem principalmente de Goiás. Sua candidatura está vinculada a Caiado, à gestão estadual e à continuidade administrativa. Não depende exclusivamente do desempenho de um candidato presidencial.

Essa pode ser uma vantagem decisiva.

A eleição para governador não será completamente isolada da disputa nacional. Nunca é. Mas o eleitor goiano mostra que deseja preservar autonomia na escolha estadual. Daniel precisa reforçar essa leitura: governar Goiás com alianças nacionais, mas sem subordinar o Estado a elas.

A tese de Caiado, portanto, não era uma bravata vazia.

Daniel ainda não venceu. Seria precipitado dizer isso. Os indecisos são numerosos, a campanha pode produzir movimentos e os adversários possuem recursos políticos para reagir.

Mas existe margem para uma decisão no primeiro turno.

Daniel tem 37% das intenções totais, pouco mais da metade dos votos atualmente atribuídos aos candidatos, ampla vantagem sobre os adversários, desempenho equilibrado entre diferentes segmentos e baixa rejeição. Além disso, carrega o apoio de um governo aprovado por 87% e de um líder que 71% dos eleitores consideram merecedor de eleger seu sucessor.

Nenhum desses números garante a vitória isoladamente. Juntos, porém, desenham uma tendência difícil de negar.

Caiado antecipou um cenário que a pesquisa começa a tornar visível.

Daniel Vilela não está apenas na liderança. Está próximo da linha que separa o favoritismo de uma vitória direta. A oposição ainda pode impedir. Mas, hoje, a possibilidade de primeiro turno é real.

E maior do que os adversários gostariam de reconhecer.

Altair Tavares

Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista de política e vários outros assuntos. Pós-graduado em Administração Estratégica de Marketing e em Cinema. Professor da área de comunicação. Para contato: [email protected] .