09 de agosto de 2026
Publicado em • atualizado em 27/07/2026 às 19:27

Congadas de Catalão movimentam economia e devem atrair mais de 20 mil visitantes em edição histórica de 150 anos

Tradicional festa, marcada para 15 de agosto, impulsiona turismo, comércio, artesanato e geração de renda, reforçando o papel da cultura como vetor de desenvolvimento econômico. Foto: Kmais.
Tradicional festa, marcada para 15 de agosto, impulsiona turismo, comércio, artesanato e geração de renda, reforçando o papel da cultura como vetor de desenvolvimento econômico. Foto: Kmais.

As Congadas de Catalão já começam a movimentar a economia da cidade semanas antes da realização do tradicional Encontro Estadual de Congadas, que neste ano celebra 150 anos de história. Marcado para o dia 15 de agosto, o evento deve atrair mais de 20 mil visitantes e impulsionar setores como turismo, comércio, hotelaria, gastronomia, artesanato e serviços, consolidando a manifestação cultural também como importante motor econômico da região.

Viabilizado pelo patrocínio da CMOC Brasil, por meio da Lei Rouanet de Incentivo a Projetos Culturais, e realizado pela Anunciação Cultura, o encontro mobiliza uma extensa cadeia produtiva que vai muito além das apresentações religiosas e dos cortejos. Costureiras, músicos, artesãos, comerciantes, restaurantes, hotéis e trabalhadores autônomos intensificam a produção para atender ao aumento da demanda provocado pela festividade.

A expectativa da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Serviços e Turismo é de que a celebração fortaleça pequenos negócios, amplie a circulação de recursos e gere renda para centenas de famílias antes, durante e após o evento.

Os números reforçam o peso econômico da cultura no Brasil. Segundo o Observatório Itaú Cultural, a economia da cultura e das indústrias criativas representa 3,11% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, movimentando cerca de R$ 280 bilhões e empregando mais de 7,5 milhões de pessoas. Entre 2012 e 2020, o setor apresentou crescimento superior ao da economia nacional.

No caso das Congadas, os impactos são percebidos em diversas atividades. A preparação envolve a confecção de fardamentos, produção de instrumentos musicais, fabricação de adereços, além da contratação de serviços de alimentação, hospedagem, transporte e comércio em geral.

Tradição fortalece pequenos empreendedores

A costureira Liene José Dutra é um exemplo de como a tradição se transforma em oportunidade de renda. O trabalho começou ao confeccionar a farda da própria filha, integrante de um dos ternos de Congada, e rapidamente ganhou novos clientes por indicação.

“Tudo começou quando minha filha virou bandeirinha. Fiz a farda dela e as pessoas começaram a pedir. Um foi indicando para o outro e, hoje, faço para vários ternos”, conta.

Há cerca de sete anos, ela produz uniformes para diferentes guardas congadeiras e afirma que o calendário da festa já faz parte da rotina de produção ao longo do ano.

Outro profissional beneficiado é o luthier Valdivino Rosa, que há duas décadas fabrica caixas, tamborins, pandeiros e outros instrumentos utilizados nas apresentações. Segundo ele, boa parte da renda anual está diretamente ligada às Congadas.

“Passo o ano inteiro contando com a festa. A procura pelos instrumentos começa cerca de seis meses antes”, relata. De acordo com o artesão, somente as vendas relacionadas ao evento geram, em média, lucro de aproximadamente R$ 5 mil por edição.

Cultura impulsiona desenvolvimento

Para a secretária de Cultura de Três Ranchos e uma das idealizadoras do encontro, Clícia Feitosa, o impacto das Congadas vai muito além da preservação cultural. Segundo ela, o evento estimula o turismo, valoriza saberes tradicionais e fortalece pequenos empreendedores que dependem da economia criativa.

A realização do encontro também evidencia o potencial econômico dos investimentos em cultura. Estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado pelo Ministério da Cultura, aponta que cada R$ 1 investido por meio da Lei Rouanet gera R$ 7,59 em retorno para a economia e para a sociedade. Apenas em 2024, o mecanismo movimentou R$ 25,7 bilhões e contribuiu para a geração de 228 mil empregos diretos e indiretos em todo o país.

Para Clícia, preservar manifestações populares também significa promover desenvolvimento econômico.

“Mais do que preservar a memória, as Congadas demonstram que cultura também é economia, e que investir em tradições populares significa impulsionar cadeias produtivas inteiras, fortalecer territórios e ampliar as perspectivas de desenvolvimento sustentável”, afirma.

Ao completar um século e meio de história, o Encontro Estadual de Congadas de Catalão reafirma seu papel como uma das maiores expressões da cultura popular brasileira, unindo fé, identidade, patrimônio imaterial e desenvolvimento econômico em um mesmo evento.

Elysia Cardoso

Jornalista formada pela UniAraguaia (2019). Repórter e editora de redes sociais, com atuação em produção de conteúdo jornalístico, cobertura de política, cidades, cultura e temas de interesse público. Experiência em redação, apuração, entrevistas e gestão de conteúdo digital.