A engenheira civil e candidata à presidência do CREA-GO, Tatiana Jucá, criticou a falta de planejamento na drenagem urbana de Goiânia e classificou como “midiática” a instalação de cancelas na Marginal Botafogo. A avaliação foi feita em entrevista ao Domingos Conversa, em que também apontou o distanciamento do conselho em relação aos profissionais.
Ao comentar os alagamentos recorrentes na capital, Tatiana afirmou que a cidade segue reagindo aos problemas, sem enfrentar as causas estruturais. “Não adianta correr quando começou a chuva”, disse ao jornalista Domingos Ketelbey. Para ela, a ausência de planejamento faz com que os mesmos pontos críticos se repitam, mesmo após sucessivas intervenções.
A candidata defende que o município avance no mapeamento das áreas de risco e adote monitoramento contínuo, com base em dados de volume de chuva e características do terreno. Segundo ela, a drenagem exige ação preventiva, com manutenção e ampliação da rede, e não apenas respostas emergenciais.
Nesse contexto, Tatiana criticou a instalação de cancelas na Marginal Botafogo, uma das principais vias da capital. “A cancela está sendo uma ação paliativa para gerar uma sensação de segurança na população, mas ela não é uma solução prioritária”, afirmou. “É uma ação até midiática muitas vezes.”
Para a engenheira, medidas desse tipo não resolvem o problema estrutural e podem reforçar a sensação de improviso. Ela defende que intervenções na via sejam baseadas em diagnóstico técnico e planejamento de longo prazo, considerando o crescimento da cidade e o aumento da área impermeabilizada.
CREA distante e com atuação questionada
Além das críticas à gestão urbana, Tatiana direcionou questionamentos ao próprio Conselho Regional de Engenharia e Agronomia. Segundo ela, o CREA perdeu protagonismo no debate público e se afastou dos profissionais.
“O CREA hoje está sendo visto como um órgão cartorário, um órgão burocrático, que só leva o valor da anuidade”, disse. “O profissional paga e não vê retorno.”
A candidata afirma que o modelo atual reforça uma atuação mais focada na cobrança do que na orientação. “O CREA se distanciou do profissional. E não se afastou só aqui na capital, no interior também”, declarou.
Ao tratar de propostas, Tatiana defende a revisão da lógica de atuação do conselho, com maior presença nas discussões públicas e mais serviços voltados à categoria. A ideia, segundo ela, é reposicionar o CREA como agente técnico nas decisões que impactam a cidade e a atividade profissional.
Altair Tavares
Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista de política e vários outros assuntos. Pós-graduado em Administração Estratégica de Marketing e em Cinema. Professor da área de comunicação. Para contato: altairtavares@diariodegoias.com.br .

