A disputa pela vice na chapa de Daniel Vilela começa a ganhar contornos menos duvidodos e mais estruturados. A sinalização política objetiva do momento foi dada pelo ex-senador Luís Carlos do Carmo em entrevista à Rádio Difusora de Goiânia. “Caiado me disse que o vice vai sair do PSD”, relatou ele ao vivo.
O processo decisório, assim, já tem um rumo. Não é apenas uma declaração; é uma síntese do método político adotado por Ronaldo Caiado.
O primeiro ponto é institucional: a escolha do vice está centralizada. Luiz do Carmo reforça isso ao afirmar que “vice não articula, vice é escolhido”. A frase desmonta qualquer narrativa de disputa aberta e revela um modelo clássico de construção de chapa majoritária no Brasil — verticalizado, liderado pelo chefe do Executivo e orientado por critérios estratégicos, não apenas eleitorais.
O segundo ponto é partidário: o PSD é o eixo de organização da vice. Isso não ocorre por acaso. A filiação recente de nomes relevantes indica um movimento coordenado do ponto de vista político.
Entre os postulantes, há perfis distintos, mas com justificativas que sustentam a indicação.
Adriano Rocha Lima, atual secretário geral da Governadoria, representa o núcleo técnico e administrativo do governo, alguém de confiança direta, com trânsito interno e conhecimento da máquina pública.
José Mário Schreiner, presidente da FAEG (Federação da Agricultura de Goiás) e do Conselho Deliberativo do Sebrae-GO simboliza o agro organizado, com forte capilaridade no setor produtivo e legitimidade entre lideranças rurais. Sua filiação ao PSD, a pedido de Caiado, não é detalhe — é movimento estratégico para enquadrar o setor dentro da arquitetura eleitoral. E foi a pedido de Caiado, disse ele em entrevista exclusiva ao Diário de Goiás.
Já Gustavo Mendanha, ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, traz densidade eleitoral própria das eleições que participou. É o único, entre os citados, com recall consolidado de disputa majoritária recente e capacidade de agregar votos fora do núcleo caiadista tradicional, principalmente na cidade que administrou, no segmento evangélico e na direita.
Luiz do Carmo, por sua vez, tenta se posicionar em um campo híbrido: combina identidade com o agro — assim como Schreiner — com experiência legislativa e trânsito político. Ao enfatizar sua origem no setor produtivo, ele busca ocupar um espaço simbólico relevante dentro da lógica da chapa: a representação do interior econômico de Goiás. Ele também se posiciona no segmento evangélico (Assembleia de Deus) e, como ele diz, conhece bem a direita.
Mas há um elemento mais profundo nessa equação.
A escolha do vice, neste caso, não é apenas complementar; ela segue a estratégia de continuidade de poder. Ao indicar que o nome sairá do PSD, Caiado não apenas delimita o campo de disputa — ele estrutura o partido como plataforma de sustentação do projeto pós-2026.
Isso dialoga diretamente com conceitos clássicos da ciência política sobre coalizões dominantes e controle de sucessão. O vice, aqui, não é apenas um coadjuvante eleitoral, mas um instrumento de equilíbrio entre três vetores: governabilidade, base social e projeção futura.
A engenharia é clara:
— Um nome com ligação ao agro reforça a base econômica do governo.
— Um nome técnico garante continuidade administrativa.
— Um nome com densidade eleitoral amplia competitividade.
A decisão final, portanto, não será sobre quem quer ser vice. Será sobre quem melhor cumpre a função estratégica dentro desse tripé.
E é justamente por isso que a frase de Luiz do Carmo tem peso. Ela não antecipa o nome, mas revela o método e o rumo: Será do PSD.
Altair Tavares
Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista de política e vários outros assuntos. Pós-graduado em Administração Estratégica de Marketing e em Cinema. Professor da área de comunicação. Para contato: altairtavares@diariodegoias.com.br .

