15 de julho de 2024
Publicado em • atualizado em 26/04/2024 às 15:47

A teoria da porta

Minha avó dizia que se você deixar a visita abrir a porta sozinha e ir embora, ela não volta mais. Superstição ou não, a realidade é que só entendi o que ela quis dizer há pouco tempo, quando a minha ficha caiu em mais uma daquelas despedidas sem emoção. Depois daquele beijo rápido seguido de uma saída apressada e do fechar da porta, eu nunca mais voltei.

Não voltei por meus motivos, por achar que algumas coisas não me eram suficientes para tornar a passar por aquela porta. Por pensar que eu deveria ter outras portas pelo caminho. Por querer alguém que não só abrisse a porta pra mim, mas que não me deixasse ir.

Há muitas histórias nas quais eu acredito, a da porta é só uma delas. Tem a do fio vermelho que se estica mas nunca rompe, a das almas afins que se encontram em várias vidas, a da existência de um tempo certo para cada coisa, das pessoas certas que aparecem para nos ensinar algo importante.

Um evento canônico da vida de toda mulher é quando ela aprende a identificar a hora certa de partir e não mais voltar. Preferir a solitude a estar passando de novo pela porta errada. Quando a gente aprende a confiar que assim como na teoria da porta, as outras também funcionam, a certeza de que a pessoa do fio vermelho vai aparecer se torna mais real.

A teoria do fio vermelho diz que ao nascermos temos um fio vermelho amarrado a nós e a todas as pessoas a quem estamos predestinados. Pessoas que serão importantes na nossa vida, que irão nos encontrar no momento ideal. Dizem que o fio se estica, sem embola, dá nós, mas nunca se rompe. Assim, podemos viver anos longe dessa pessoa, cada um em um canto do mundo, mas ainda assim, ligados pelo fio, que uma hora fará seu papel de nos aproximar.

Na hora certa, o fio vermelho se torna uma guia, que faz com que essas pessoas se cruzem. Foi acreditando na teoria da porta e a levando a sério que abri espaço para que meu fio vermelho me achasse. Desfiz os nós. Ao invés de me deixar abrir a porta sozinha e partir, ele me pediu para ficar, me provando que todas as outras teorias também existiam.

Luana Cardoso Mendonça

Jornalista em formação pela FIC/UFG, Bióloga graduada pelo ICB/UFG, escritora e eterna curiosa. Compartilho um pouco do mundo que eu vejo, ouço e vivo, em forma de palavras, afinal, boas histórias merecem ser contadas