Pedí à minha Inteligência Artificial para considerar todos os dados do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima da ONU) de estudos sobre o impacto da crise climática em Goiás. Como o estado tem papel central na produção agropecuária, enfatizei que buscaria entender o futuro da atividade.
E, após o raciocínio com a indicação dos dados, solicitei que elaborasse 10 perguntas aos candidatos a governador de Goiás em 2026. “A partir de toda a discussão — aquecimento, água, Cerrado, produção de grãos, pecuária, adaptação das cidades e horizonte de 2050 — eu estruturaria as perguntas para obrigar os candidatos a apresentar metas, investimentos e escolhas concretas, e não apenas dizer que “defendem o meio ambiente”, relatou a IA.
- Goiás em 2050 — As projeções climáticas indicam um Goiás mais quente, sujeito a ondas de calor e maior risco de secas. Qual é o seu plano para preparar o estado para o clima de 2050 e quanto pretende investir nessa adaptação?
- Água — O aumento das temperaturas eleva a evaporação e pode agravar períodos de escassez hídrica. Como seu governo pretende garantir água simultaneamente para a população, agricultura, pecuária, indústria e geração de energia nas próximas décadas?
- Soja e milho — Goiás depende economicamente da produção de grãos, e alterações no início das chuvas e veranicos podem comprometer principalmente a sucessão soja-milho. Que investimentos seu governo fará em pesquisa, genética, irrigação, armazenamento de água e novas tecnologias para proteger essa produção?
- Pecuária e calor extremo — Temperaturas mais elevadas provocam estresse térmico nos bovinos, prejudicando reprodução, alimentação e ganho de peso. O próximo governo deveria criar um programa estadual de adaptação da pecuária, estimulando sombra, recuperação de pastagens, disponibilidade de água e integração lavoura-pecuária-floresta?
- Cerrado — O Cerrado é fundamental para a produção e para os recursos hídricos de Goiás, mas sofre simultaneamente os efeitos do desmatamento, das queimadas e das mudanças climáticas. Qual será sua meta de redução do desmatamento e de recuperação de áreas degradadas até 2030?
- Incêndios — Um Goiás mais quente e sujeito a períodos prolongados de seca aumenta o risco de grandes incêndios florestais. O estado possui hoje estrutura suficiente de prevenção, monitoramento e combate ao fogo? O que seu governo fará de diferente antes que ocorram novas tragédias?
- Goiânia e cidades mais quentes — Ondas de calor também são um problema de saúde pública. Qual é o seu projeto para preparar Goiânia, Aparecida, Anápolis, Rio Verde e outras cidades para temperaturas extremas, com arborização, áreas verdes, infraestrutura urbana e proteção das populações mais vulneráveis?
- Quem paga pela adaptação? — Adaptar Goiás ao novo clima exigirá bilhões de reais ao longo das próximas décadas. O senhor pretende criar um fundo climático estadual, buscar financiamento internacional, utilizar recursos do orçamento ou estabelecer novas obrigações para setores econômicos que provocam maior impacto ambiental?
- Ciência ou improvisação? — O clima de Goiás de 2050 não será exatamente o mesmo de hoje. O senhor se compromete a criar um planejamento climático permanente, baseado em universidades, Embrapa, instituições meteorológicas e centros de pesquisa, com metas públicas e indicadores que permitam à sociedade cobrar resultados do governo?
- A pergunta para uma geração — O próximo governador administrará Goiás por apenas quatro anos, mas decisões tomadas agora poderão influenciar a disponibilidade de água, a produção de alimentos e a qualidade de vida por décadas. Qual decisão difícil o senhor está disposto a tomar durante seu mandato, mesmo que tenha custo político hoje, para impedir que a próxima geração receba um Goiás mais quente, mais seco e menos produtivo?
Para a conclusão, vale a pena ressaltar que raramente os candidatos apontam soluções ambientais para o futuro do Estado. E, o meio ambiente, pouco aparece nos debates e nos programas de governo.
Mas, sem ele, não há futuro.
Altair Tavares
Editor e administrador do Diário de Goiás. Repórter e comentarista de política e vários outros assuntos. Pós-graduado em Administração Estratégica de Marketing e em Cinema. Professor da área de comunicação. Para contato: altairtavares@diariodegoias.com.br .
