14 de fevereiro de 2026
turismo

Cidades que pagam para visitá-las ou morar nelas por um tempo

TURISMO
Programas oferecem dinheiro, hospedagem e incentivos para atrair turistas e novos moradores
Programas oferecem dinheiro, hospedagem e incentivos para atrair turistas e novos moradores

Viajar e ainda receber para isso parece promessa de golpe, mas é uma estratégia real adotada por cidades ao redor do mundo. Em meio ao esvaziamento populacional, à queda no turismo tradicional e à busca por novos modelos de desenvolvimento, municípios passaram a oferecer incentivos financeiros para atrair visitantes temporários ou novos moradores.

Os programas variam. Alguns pagam estadias curtas, outros oferecem ajuda de custo para quem trabalha remotamente e há casos de incentivos para mudança definitiva. A lógica é simples: trazer gente, movimentar a economia local e evitar que cidades inteiras desapareçam do mapa.

Por que cidades estão pagando visitantes e novos moradores

A maioria dessas iniciativas surge em locais que enfrentam três problemas recorrentes: população envelhecida, fuga de jovens para grandes centros e queda na arrecadação. Ao atrair turistas por mais tempo ou trabalhadores remotos, essas cidades buscam ocupar imóveis vazios, fortalecer o comércio local e manter serviços públicos funcionando.

Com o avanço do trabalho remoto, a estratégia ganhou força. Prefeituras perceberam que competir com grandes metrópoles por moradores permanentes é difícil, mas atrair pessoas por meses pode ser mais viável.

Exemplos de cidades que oferecem dinheiro ou benefícios

Na Itália, várias cidades pequenas lançaram programas para combater o despovoamento. Em regiões como Calábria, Molise e Sicília, moradores estrangeiros podem receber até € 30 mil para se mudar, desde que reformem imóveis abandonados e permaneçam no local por um período mínimo. Candela, na Itália, adotou essa política desde 2018.

Nos Estados Unidos, o caso mais conhecido é o de Tulsa, em Oklahoma. O programa Tulsa Remote oferece US$ 10 mil, espaço de coworking e apoio para profissionais que se mudem para a cidade por pelo menos um ano. Iniciativas semelhantes existem no Kansas, no Alasca e no Arkansas.

No Japão, vilarejos rurais oferecem subsídios para famílias jovens se mudarem, com ajuda financeira, moradia subsidiada e até incentivo para abertura de pequenos negócios. O objetivo é frear o envelhecimento acelerado da população.

Já em Portugal, algumas regiões do interior oferecem benefícios fiscais, apoio à moradia e incentivos para empreendedores e trabalhadores remotos, embora os valores variem conforme o município.

Programas para turistas: dinheiro para visitar

Nem todos os incentivos são para morar. Algumas cidades pagam para que turistas permaneçam mais tempo. Durante a retomada pós-pandemia, regiões da Sardenha, na Itália, ofereceram até € 1.000 para visitantes que se hospedassem fora da alta temporada.

Na Espanha, vilas do interior criaram programas que cobrem parte da hospedagem ou oferecem experiências gratuitas para quem aceita visitar o destino fora do circuito turístico tradicional.

Quem pode participar desses programas

Os critérios variam bastante. Em geral, os programas exigem:

– Idade mínima (normalmente acima de 18 anos);

– Permanência mínima no local;

– Comprovação de renda ou trabalho remoto;

– Compromisso com atividades econômicas locais;

– Em alguns casos, compra ou reforma de imóvel.

Não se trata de “dinheiro fácil”. As cidades buscam pessoas dispostas a consumir, trabalhar ou viver no local, ainda que temporariamente.

Vale a pena? O que considerar antes de se inscrever

Antes de se candidatar, é importante avaliar custos de vida, acesso a serviços de saúde, infraestrutura, internet e idioma. Muitos desses municípios são pequenos, isolados e com poucas opções de lazer urbano.

Além disso, alguns programas exigem que o beneficiário devolva o valor recebido caso não cumpra o período mínimo de permanência.

Onde encontrar esses programas

Os editais costumam ser divulgados nos sites oficiais das prefeituras ou em plataformas voltadas ao trabalho remoto internacional. É fundamental desconfiar de anúncios sem fontes oficiais ou que exijam pagamento antecipado.


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