16 de julho de 2026
HISTÓRIA

Médica denuncia apagamento de figura-chave no caso do Césio-137; confira documentos

Publicação com documentos e relatos reacende debate sobre quem atuou na identificação inicial da radiação em Goiânia.
Documentos divulgados reacendem debate sobre a identificação inicial da radiação no caso Césio-137. Foto: Reprodição / SES-GO
Documentos divulgados reacendem debate sobre a identificação inicial da radiação no caso Césio-137. Foto: Reprodição / SES-GO

A divulgação de documentos e relatos inéditos trouxe um novo elemento ao debate sobre o acidente com césio-137 em Goiânia, considerado o maior desastre radiológico fora de usinas nucleares. A médica Ana Gabriela Maia afirma que uma figura considerada central nos primeiros momentos da crise teria sido, ao longo dos anos, deixada de lado na narrativa histórica do episódio.

Uma publicação feita por Ana Gabriela no Threads traz registros da época que indicam que seu avô, Sebastião Maia de Andrade, então gerente regional da Nuclebrás, teve papel decisivo na identificação da radiação e na comunicação com autoridades. A publicação reacende discussões sobre possíveis lacunas na reconstrução dos acontecimentos registrados em setembro de 1987.

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Documentos indicam atuação direta na detecção da radiação

Sebastião Maia de Andrade atuou na medição da radiação e no acionamento de autoridades nos primeiros momentos do caso Césio-137. Fotos: Arquivo pessoal / Ana Carla Maia

Entre os materiais apresentados, há registros técnicos e comunicações oficiais que apontam para a participação direta de Sebastião Maia no uso de um cintilômetro, equipamento utilizado para medir níveis de radiação.

De acordo com os documentos, o aparelho teria sido utilizado para avaliar pessoas e locais suspeitos de contaminação. As medições indicaram presença de radioatividade, o que contribuiu para a compreensão da gravidade da situação naquele momento inicial.

Os registros também mostram que a identificação da radiação ocorreu antes da formalização completa do caso, reforçando a importância das primeiras medições realizadas.

Comunicação com autoridades ocorreu ainda no início

Outro ponto destacado na publicação é o contato com a Comissão Nacional de Energia Nuclear logo após a detecção da radiação.

Segundo os documentos divulgados, houve envio de comunicação oficial relatando a presença de material radioativo e solicitando providências. Esse tipo de acionamento é considerado essencial para a mobilização da resposta institucional ao acidente.

A sequência de ações – detecção, medição e comunicação – compõe a base do processo que levou ao reconhecimento oficial do caso.

Relatos reforçam participação nos primeiros momentos

Além dos documentos, a médica também reuniu relatos de profissionais que atuaram na época. Um deles descreve o uso do equipamento de medição e a identificação de contaminação em pessoas envolvidas.

Outro trecho aponta que a confirmação da radioatividade ocorreu a partir dessas medições iniciais, o que teria permitido compreender a dimensão do problema e acionar as autoridades competentes.

Esses elementos são apresentados como evidências de que a atuação foi determinante para o início da resposta ao acidente.

Narrativa histórica concentra reconhecimento em outra figura

A versão mais conhecida do episódio atribui a identificação da radiação ao físico Walter Mendes Ferreira, que confirmou a presença do material e orientou as primeiras medidas de contenção.

De acordo com a médica, ao longo dos anos, o reconhecimento público acabou concentrado nessa atuação, enquanto outras participações teriam sido reduzidas ou omitidas em diferentes registros e produções.

“Ao longo dos anos, a narrativa foi simplificada. Os créditos ficaram concentrados na figura de um físico. O papel do meu avô foi reduzido ou omitido. Inclusive em produções recentes, como a série da Netflix. Ele simplesmente não é mencionado. Como se não tivesse existido”, escreveu.

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Debate ganha força com novos registros

O acidente com césio-137 teve início após a retirada de um equipamento de radioterapia abandonado, que liberou material altamente radioativo. A contaminação atingiu centenas de pessoas e mobilizou uma ampla operação de monitoramento e contenção.

Dados oficiais indicam que mais de 112 mil pessoas foram avaliadas na época, com centenas apresentando algum nível de exposição. O episódio resultou em mortes e deixou impactos duradouros na cidade.

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