O lançamento da minissérie ‘Emergência Radioativa’, da Netflix, que revisita o acidente com césio-137 em Goiânia, trouxe novamente à tona histórias pouco conhecidas da tragédia. Entre elas, o envio de crianças contaminadas para tratamento em Cuba, cinco anos após o desastre.
A produção, lançada em março de 2026, dramatiza os acontecimentos de 1987 e reacendeu o interesse público sobre o episódio, considerado um dos maiores acidentes radiológicos do mundo fora de usinas nucleares. Nesse contexto, relatos de vítimas e iniciativas internacionais voltaram a circular.
Grupo de vítimas foi levado a Cuba em 1992
Em 1992, um grupo de 50 brasileiros afetados pela contaminação foi levado para Cuba. Entre eles, estavam 34 crianças e 16 adultos – pais ou responsáveis destas crianças.
O atendimento ocorreu na Cidade dos Pioneiros, em Havana, uma estrutura voltada ao tratamento de vítimas de radiação. O local já recebia pacientes internacionais, especialmente crianças afetadas pelo acidente nuclear de Chernobyl.
Como foi o tratamento
Durante a estadia, as crianças passaram por uma bateria de exames médicos, incluindo avaliações hematológicas, radiológicas e exames de medula óssea. Ao todo, centenas de procedimentos foram realizados.
Além do acompanhamento clínico, os pacientes receberam vacinas, tratamentos odontológicos e intervenções cirúrgicas de menor complexidade. Também houve suporte psicológico, considerado essencial diante dos impactos emocionais causados pelo acidente.
Segundo registros da época, cerca de 40% dos pacientes apresentaram alterações imunológicas ou hematológicas após os exames realizados em Cuba.
Cuba já tinha experiência com vítimas de radiação
A escolha de Cuba não foi por acaso. Desde o início da década de 1990, o país mantinha um programa de saúde voltado para vítimas de radiação, com milhares de crianças atendidas após o desastre de Chernobyl.
Esse histórico foi determinante para que autoridades brasileiras buscassem apoio internacional, especialmente diante dos efeitos prolongados da exposição ao césio-137, que nem sempre se manifestavam imediatamente.
Relatos mostram contraste com realidade no Brasil
Sobreviventes relatam que a experiência em Cuba foi marcada por acolhimento e estrutura adequada, contrastando com o cenário vivido no Brasil após o acidente.
Em Goiânia, muitas vítimas enfrentaram isolamento social, discriminação e perdas materiais, já que bens contaminados precisaram ser descartados. Estudos da Universidade Federal de Goiás apontam que esses fatores tiveram impacto significativo na saúde mental dos atingidos.
Já em Cuba, os pacientes participaram de atividades recreativas, passeios e conviveram com outras crianças em tratamento, o que ajudou a reduzir o impacto psicológico.
Quantas pessoas foram afetadas pela tragédia

Segundo dados divulgados pelo Governo de Goiás, mais de 112 mil pessoas passaram por monitoramento após o acidente.
Dessas, 249 apresentaram algum grau de contaminação por radiação, e 129 precisaram de acompanhamento médico contínuo.
O acidente resultou na morte de quatro pessoas, vítimas da Síndrome Aguda da Radiação.
Vítimas

Entre as vítimas está Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que se tornou símbolo da tragédia após ter contato direto com o material radioativo.
Também morreram Maria Gabriela Ferreira, Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza, todos contaminados durante a manipulação da substância.
As mortes ocorreram semanas após a exposição, em decorrência dos efeitos da radiação no organismo.
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