12 de fevereiro de 2026
REAÇÃO

Celular em cela e suspeita de favorecimento a delegado repercutem na Polícia Civil de Goiás

Aparelho apreendido na DIH e áudios sugerindo revista “combinada” ampliam pressão sobre PCGO e investigação do MPGO
Celular foi usado por delegado e suspeita é de que esposa levou aparelho - Foto: reprodução / redes sociais
Celular foi usado por delegado e suspeita é de que esposa levou aparelho - Foto: reprodução / redes sociais

A informação de que o delegado Dannilo Proto mantinha um celular na cela da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), onde ficou preso por alguns meses, e que uma revista pode ter sido feita “superficialmente para favorecer o preso”, repercutiu na Polícia Civil. O celular foi apreendido em dezembro, após ter ficado oculto dentro da cela, usado fartamente pelo investigado até mesmo para pressionar pessoas, segundo a denúncia, o que ele nega.

A descoberta do aparelho e de conversas comprometedoras nele, estão entre as causas da prisão da mulher do delegado, Karen Proto, ex-coordenadora regional de Educação de Rio Verde, na terça-feira (27). A prisão foi parte da terceira fase da Operação Regra Três.

Ela e o delegado foram denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por suspeitas de fraude de R$ 2,2 milhões de recursos públicos desviados através de contratos com escolas que envolvem 40 licitações suspeitas.

Karen respondia em liberdade pelos mesmos crimes que o marido. Os dois são investigados por organização criminosa, uso de documento falso, lavagem de dinheiro e violação do sigilo funcional em benefício de uma empresa pertencente ao casal, que nega as acusações. Mais sete pessoas são investigadas.

Procurada pela reportagem, a PCGO defendeu seus mecanismos de controle interno e fiscalização e informou que adotou providências imediatas diante de indícios de irregularidades relacionadas à guarda de custodiados em unidade policial. Leia a íntegra da nota ao final.

Segundo a nota, antes da apreensão do celular com Dannilo, a DIH já tinha encontrado dois celulares com outro preso e a Corregedoria da Polícia Civil instaurado procedimento apuratório para averiguação dos fatos.

A própria Corregedoria, entretanto, é citada nas conversas comprometedoras do delegado. Em um dos áudios, ele indica que tinha sido “favorecido” por uma revista na cela a seu favor, demonstrando que tinha conhecimento de como seria realizado o procedimento e se preparado para evitar o flagrante do celular que, de fato, só ocorreu posteriormente, em ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPGO.

Nota

“A Polícia Civil de Goiás informa que, no exercício permanente de seus mecanismos de controle interno e fiscalização, adotou providências imediatas diante de indícios de irregularidades relacionadas à guarda de custodiados em unidade policial.

Ressalta-se que, em 25 de agosto de 2025, o delegado titular da DIH apreendeu dois aparelhos celulares em posse de outro preso custodiado na unidade. Diante do ocorrido, a Corregedoria da Polícia Civil instaurou, de imediato, procedimento apuratório para averiguação dos fatos. Em 02 de outubro de 2025, foi instaurado inquérito policial específico, com a devida comunicação ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.

O referido inquérito policial, conduzido pela Corregedoria da Polícia Civil, foi concluído com a identificação da autoria e o indiciamento da pessoa responsável pela entrada ilegal dos aparelhos celulares na cela, tendo sido o procedimento regularmente remetido ao Poder Judiciário em dezembro de 2025, para as providências legais cabíveis.

Ademais, em 27 de novembro de 2025, foi realizada nova correição nas celas da Delegacia de Investigações de Homicídios, após denúncias veiculadas na mídia, não tendo sido localizado qualquer aparelho eletrônico. Importante destacar que, em 14 de novembro de 2025, o custodiado mencionado já havia sido transferido e isolado na carceragem da Delegacia Estadual de Capturas.

A Polícia Civil de Goiás reafirma seu compromisso inegociável com a legalidade, a transparência e a imparcialidade na apuração de fatos, refutando de forma categórica qualquer alegação de omissão institucional. A Instituição atua com rigor técnico e responsabilidade na investigação de quaisquer irregularidades, independentemente da condição funcional ou pessoal dos envolvidos, assegurando que toda conduta ilícita seja devidamente apurada e responsabilizada nos termos da lei.”

Goiânia, 28 de janeiro de 2026.

Gerência de Comunicação da Polícia Civil de Goiás – PCGO


Leia mais sobre: / / / / Cidades