A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) iniciou oficialmente o debate para implementar no Campeonato Brasileiro as novas regras adotadas pela FIFA durante a Copa do Mundo de 2026. A entidade convocará uma reunião com os clubes das Séries A e B, prevista para agosto, para apresentar os resultados obtidos no Mundial e discutir a adoção das mudanças já nas competições nacionais. Antes de qualquer decisão, a CBF pretende ouvir dirigentes e avaliar os impactos das alterações na dinâmica dos jogos.
O objetivo das mudanças é claro: aumentar o tempo de bola rolando, reduzir o antijogo e tornar as partidas mais dinâmicas. A comissão de arbitragem da CBF já começou a preparar os árbitros brasileiros para o possível novo cenário. Os profissionais participaram recentemente de um período de treinamento na Espanha, onde receberam orientações sobre as novas diretrizes aprovadas pela International Football Association Board (IFAB), responsável pelas regras do futebol.
Uma das principais novidades é a mudança nas cobranças de lateral. Sempre que o árbitro entender que o jogador está demorando propositalmente para recolocar a bola em jogo, será iniciada uma contagem visual de cinco segundos. Caso a cobrança não seja realizada dentro desse prazo, a posse de bola será automaticamente invertida, e o lateral passará para a equipe adversária. A medida pretende acabar com uma das práticas mais comuns de “cera”, principalmente nos minutos finais das partidas.
As substituições também sofrerão mudanças significativas. O jogador substituído terá apenas dez segundos para deixar completamente o campo, utilizando preferencialmente o ponto mais próximo da linha lateral ou de fundo. Caso ultrapasse esse tempo sem justificativa, sua equipe ficará temporariamente com um jogador a menos, já que o substituto só poderá entrar após um minuto ou na próxima paralisação autorizada pela arbitragem. A intenção é impedir que as trocas sejam utilizadas exclusivamente para gastar tempo.
Os atendimentos médicos também passam a seguir um protocolo mais rígido. Sempre que um atleta precisar ser atendido dentro do gramado – exceto em casos específicos, como choque de cabeça, atendimento ao goleiro ou lesões graves – ele deverá permanecer fora de campo durante um minuto após o reinício da partida. A medida foi criada para reduzir as interrupções provocadas por jogadores que utilizam o atendimento médico como estratégia para esfriar o jogo.
A tecnologia também ganhará novas funções. O protocolo do árbitro de vídeo (VAR) poderá ser ampliado para permitir a revisão de expulsões decorrentes do segundo cartão amarelo, caso exista um erro claro da arbitragem. Além disso, o VAR também poderá recomendar a correção de escanteios marcados de forma equivocada, evitando que uma decisão claramente errada influencie o andamento da partida. As mudanças ampliam a atuação da tecnologia em lances que, até então, estavam fora do seu alcance.
Caso os clubes aprovem a proposta durante a reunião prevista para agosto, a CBF poderá adotar as novas regras ainda nesta edição do Campeonato Brasileiro. A expectativa da entidade é repetir os resultados observados na Copa do Mundo, onde as alterações contribuíram para aumentar o tempo efetivo de jogo, reduzir as paralisações e combater o antijogo, tornando as partidas mais rápidas, equilibradas e atrativas para atletas, clubes e torcedores.
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