15 de julho de 2026
ELEIÇÕES 2026

Castro deixa governo do RJ às vésperas de julgamento que pode cassar mandato

Ele diz que sai do governo de "cabeça erguida" e mira campanha ao Senado
Cláudio Castro deixa o comando do Rio de Janeiro
Cláudio Castro deixa o comando do Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), deixou o cargo nesta segunda-feira (23), em movimento que antecipa a disputa por uma vaga no Senado e coincide com a retomada, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do julgamento que pode cassar seu mandato. A cerimônia de despedida foi realizada no Palácio Guanabara, com presença de aliados.

“Encerro o meu tempo à frente do governo do Estado de cabeça erguida e de forma grata”, afirmou Castro ao formalizar a saída. Reeleito em primeiro turno em 2022, com 4,9 milhões de votos, ele deixa o Executivo sob pressão jurídica.

O TSE retoma nesta terça-feira (24) o julgamento da ação que acusa o governador de abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição. Em novembro, a relatora do caso, ministra Maria Isabel Galotti, votou pela cassação do mandato e pela inelegibilidade por oito anos. O processo foi interrompido por pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, que agora apresenta voto.

Se a maioria acompanhar o entendimento da relatora, além da inelegibilidade, o estado poderá ter novas eleições diretas para o governo.

A saída de Castro também expõe um vácuo institucional no comando do estado. Sem vice, após Thiago Pampolha assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado em 2025, e com o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, afastado, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assume interinamente o governo.

Pela legislação estadual, caberá ao interino convocar, em até dois dias, eleição indireta na Assembleia Legislativa. Os 70 deputados terão prazo de 30 dias para escolher um nome que comandará o Palácio Guanabara em mandato-tampão até o pleito regular de outubro.

Nos bastidores, a leitura é de que Castro tenta descolar sua movimentação eleitoral do risco iminente no TSE. A renúncia antes do desfecho do julgamento reduz o impacto político de uma eventual cassação, mas não afasta o risco de inelegibilidade, caso a Corte confirme o voto da relatora.


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