25 de maio de 2022
Lênia Soares

Cassação de Demóstenes Torres, uma vergonha para Goiás

Fim da linha. Com 56 votos favoráveis, 19 contra e cinco abstenções, o mandato de senador de Demóstenes Torres (Sem Partido) foi cassado no início da tarde desta quarta-feira, 11. O primeiro envolvido com o contraventor Carlinhos Cachoeira a perder o cargo público desde o início da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. “Por favor, não acabem com minha vida. Deixem o povo de Goiás me julgar.” Eles não deixaram. Cassaram Demóstenes Torres. Em Goiás está caçado. Morre aqui um homem político goiano.

Um problema resolvido? Não. Quem assume a vaga do ex-democrata é o suplente Wilder Moraes. Empresário e atual secretario do governo estadual. Em 2010 foi condenado por omissão de bens no TSE. Entre os imóveis que se esqueceu de relacionar estão dois shoppings centers, um em Goiânia e outro em Anápolis (GO). Wilder é ex-marido da mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça.

Nas eleições de 2010, Wilder foi o segundo maior doador da campanha de Demóstenes, com R$ 700 mil repassados por meio de duas de suas empreiteiras. Conversas telefônicas usadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostram que Cachoeira atuou para que Wilder fosse escolhido suplente de Demóstenes. Uma bola de neve. Ou melhor, um efeito Cachoeira.

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Demóstenes foi expulso do DEM após ser acusado de interceder por Cachoeira em seu mandato. Ele estará inelegível até 2023, como determina a Lei Ficha Limpa.

É o segundo senador suspeito de corrupção a perder o mandato, sendo o primeiro Luiz Estevão, que deixou o posto em 2000 por superfaturamento nas obras do TRT de São Paulo.

Ficamos por aqui, Demóstenes. Mas a semana ainda não acabou. Ainda vem por aí uma sexta-feira, 13.

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