28 de maio de 2024
Destaque • atualizado em 28/04/2024 às 11:30

Cancelamento do Censo provoca transtornos para cidades do interior: “Prejuízo muito grande em Bela Vista”, afirma prefeita

Prefeita Nárcia Kelly em entrevista ao Diário de Goiás (Foto: Reprodução/DG)
Prefeita Nárcia Kelly em entrevista ao Diário de Goiás (Foto: Reprodução/DG)

A notícia da suspensão da realização do Censo em 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi um duro golpe para prefeitos que aguardavam ver o aumento da arrecadação de seus municípios por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Apesar do cálculo também ser feito por meio da estimativa divulgada anualmente, a prefeita de Bela Vista de Goiás, Nárcia Kelly (PP) pondera que essa média é defasada e não condiz com a realidade da cidade que conduz a gestão.

De acordo com Kelly, por menos de 100 habitantes, Bela Vista de Goiás poderia receber em torno de quase 3 milhões a mais do que recebe hoje. “No ano de 2020 eles fizeram uma estimativa de 30.492 habitantes para Bela Vista. É uma estimativa. Com 30.564 a gente ia para o FPM 1.6, ou seja, 73 habitantes a mais, Bela Vista vai ter direito 2 milhões e meio a 3 milhões de reais, por ano de FPM, que é a nossa segunda maior fonte de receita”, pontua.

O IBGE manterá no cronograma a publicação de uma nova estimativa populacional para os municípios que deve ser publicada em junho. “Porque Bela Vista tem crescido a cada dia, estamos na Região Metropolitana, essa estimativa o IBGE com certeza está furada. Bela Vista está muito próximo à Goiânia e essa estimativa é feita com base no estado inteiro, é uma média que eles tem. Mas Bela Vista tem de ser olhada com olhos diferentes. É a cidade mais procurada para se morar devido a qualidade de vida, aos serviços públicos e à beleza da cidade. Prova disso, aqui nem casa para alugar você encontra. Do tanto que a procura de Bela Vista está grande”, destaca.

Segundo Nárcia, maiores investimentos em infraestrutura e saúde poderiam ocorrer com uma arrecadação maior no Fundo de Participação dos Municípios. “A saúde é uma prioridade no nosso município. Temos cuidado muito do produtor rural. 200 mil reais a mais por mês poderia melhorar o nosso planejamento. Poderíamos ampliar alguns serviços de saúde. Hoje mesmo eu despachava com a secretária de Saúde e precisamos e organizamos a contratação para o segundo semestre a contratação de mais especialidades médicas. As mais urgentes em Bela Vista que a gente não tem é um angiologista que tem uma demanda muito grande. O ano passado o maior número de óbitos depois da Covid-19 veio por conta das doenças relacionadas a essa parte de angiologia. Precisamos muito de neuropsiquiatra para crianças. Nós adquirimos um equipamento de endoscopia. Para nós conseguirmos fazer esse equipamento funcionar precisamos contratar um gastro, que é mais uma despesa”, destaca.

A prefeita destaca que outros chefes municipais tem a mesma sensação de frustração com o adiamento do Censo. “Com certeza deu uma frustração porque precisamos muito desses recursos. A cada dia está mais dificil administrar. Essa pandemia aumentou muito as despesas com relação à saúde. Aumentou os custos, por exemplo, dos materiais de construção. Bela Viste tem essa bandeira de infraestrutura muito forte e as despesas estão aumentando. A maioria das empresas que ganharam obras aqui estão entrando com pedido de reequilíbrio econômico-financeiro porque tem itens de material de construção que subiram 100, 200, 300% ao longo do tempo. Algumas obras até pararam por esse motivo porque as empresas não têm saúde financeira para continuar elas se não reequilibrar. Então é um momento muito dificil, delicado onde cada centavo faz diferença no orçamento da Prefeitura”, destacou.


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Domingos Ketelbey

Jornalista e editor do Diário de Goiás. Escreve sobre tudo e também sobre mobilidade urbana, cultura e política. Apaixonado por jornalismo literário, cafés e conversas de botequim.