14 de fevereiro de 2026
CRIME BRUTAL

Caldas Novas: corretora recebeu tiro na cabeça, revela Fantástico

Desentendimentos comerciais e perseguição antecederam assassinato de Daiane Alves a tiros, segundo reportagem exibida pelo programa no domingo
Cléber confessou o homicídio da corretora após histórico de perseguições à moradora - Foto: reprodução / Tv Anhanguera
Cléber confessou o homicídio da corretora após histórico de perseguições à moradora - Foto: reprodução / Tv Anhanguera

A corretora de imóveis Daiane Alves, de 43 anos, foi alvejada com ao menos um tiro na cabeça que teria sido disparado pelo principal suspeito, o síndico Cleber Rosa de Oliveira no dia 17 de dezembro dentro do condomínio onde ela morava e administrava apartamentos de temporada, em Caldas Novas. A informação foi divulgada pelo programa Fantástico, da Tv Globo, no domingo.

O programa também apurou que, na visão de familiares, o principal motivo para o síndico ter cometido o crime, que ele confessou, é relacionado a desentendimentos comerciais. Daiane passou a administrar apartamentos que Cléber recebia dinheiro para gerenciar, mesmo não sendo corretor regularizado, uma exigência legal.

Corretora desaparece após registrar corte de energia em prédio de Caldas Novas
Corretora foi filmada no elevador minutos antes de ser morta – Fotomontagem: reprodução de vídeo

O programa exibiu áudios onde, aparentemente, Cléber intimida ao menos um proprietário que transferiu o serviço para Daiane, sugerindo que o dono teria dificuldades e prejuízos porque ele é que tinha o poder na manutenção predial do condomínio, questão, entretanto, que não está relacionada com locação ou venda das unidades, atribuições do corretor.

“Não sei por que você está insistindo tanto nesse negócio [corretagem] com a Daiane, se você nem conhece ela. Não sei se ela vai poder resolver os outros problemas que você terá, né? Porque a manutenção do prédio, do apartamento, passa por mim”, afirmou Cléber ao proprietário do apartamento no áudio que foi revelado agora.

Além disso, imagens captadas na central de energia mostram que o único cabo de eletricidade cortado e emendado é de um dos apartamentos que a vítima administrava. A suspeita é de que os cortes de energia, gás e água eram promovidos pelo síndico reiteradamente para forçar Daiane a deixar o prédio onde a família possui vários imóveis. Um desses apartamentos ficou 45 dias sem energia, que só foi religada com a presença de um Oficial de Justiça.

Para agravar, os parentes de Daiane e donos dos apartamentos que ela administrava também eram perseguidos pelo síndico de outras formas. Segundo a reportagem, ele proibia o acesso deles ao salão de festa, lavanderia ou academia do condomínio.

Síndico manteve naturalidade e reprimiu conversas sobre sumiço da moradora

A moradora e corretora denunciou as situações abusivas do síndico às autoridades, obteve medidas judiciais e passou a filmar tudo, até o dia em que não foi mais vista. A investigação indica que nesse dia, Daiane se dirigia justamente ao subsolo para verificar a caixa de energia porque havia sofrido um novo corte e no local se deparou com o síndico que a matou. Existe a hipótese dele, já armado, ter atraído a moradora de propósito, indicando premeditação.

Depois do desaparecimento, que durou mais de 40 dias, durante semanas, o síndico manteve certa naturalidade. Segundo a família, Cléber chegou a reclamar que a divulgação do sumiço em um carro de som contratado pela família para ajudar nas buscas, estava prejudicando a imagem do condomínio.

Também foi divulgado uma mensagem de Cléber no grupo do residencial em que ele proíbe que o assunto continue sendo tratado naquele espaço. “Está bem chato esse negócio aqui. Eu vou pedir que cessem esses comentários sobre esse assunto no grupo”, determina a voz que seria dele.

Agora, familiares da corretora afirmam que até mesmo uma assembleia que votou pela expulsão de Daiane do residencial, teria sido manipulada pelo síndico com votos de pessoas que nem estiveram presentes. “Quem cala consente”, teria dito ao ser questionado. Para derrubar a decisão da assembleia, a corretora precisou recorrer ao Judiciário, mostrando o alto nível de perseguição. Cléber chegou a ser investigado por stalking contra a morador, mas isso também não evitou a morte de Daiane.

Prisão e malas prontas

Na semana passada, Cleber Rosa foi preso em casa e confessou o crime. Ele estava com malas prontas, indicando que planejava fugir. O filho de Kleber, Michael Douglas, também foi preso. Segundo a polícia ele é acusado de ter acobertado o crime e obstruído as investigações. Os dois continuam presos.

O síndico nega que o filho tenha relação com o homicídio. Na semana passada, assim que foi preso, o síndico levou a polícia até o local onde jogou o corpo e deu detalhes do que fez naquele dia. Durante uma reconstituição no condomínio, foram ouvidos disparos de arma de fogo, indicando que ele atirou na moradora.

O celular da vítima foi localizado em uma tubulação de esgoto da garagem do residencial.

A reportagem não localizou a defesa do síndico e do filho. O espaço está aberto para a manifestação.


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