A campanha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República será estruturada para posicioná-lo como uma alternativa fora da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A estratégia foi detalhada pelo marqueteiro Paulo Vasconcelos em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (30).
Segundo Vasconcelos, a campanha deve evitar o confronto ideológico direto e apostar na apresentação de resultados concretos da gestão de Caiado. “Debate ideológico interessa a Flávio e Lula; vou focar em entrega, não em ideologia. Caiado quebra a polarização porque tem entregas concretas”, afirmou.
O marqueteiro destaca que a comunicação eleitoral será baseada em indicadores de desempenho do governo estadual, como segurança pública, educação e investimentos em tecnologia. “É um governador com 88% de aprovação em seu estado. É isso que vamos levar para a campanha”, completou.
Desafio inicial é tornar Caiado mais conhecido
Apesar do discurso de ruptura com a polarização, Vasconcelos avalia que o principal obstáculo, neste momento, é o baixo nível de conhecimento do eleitorado sobre o nome de Caiado. “O maior adversário de Caiado hoje não é Flávio nem Lula, é o desconhecimento. Você não abre a casa para quem você não conhece”, declarou.
Para enfrentar esse cenário, a estratégia inicial prevê ampliar a visibilidade do pré-candidato, especialmente por meio das inserções partidárias do PSD e da exposição na mídia com o anúncio da candidatura. “O desafio, neste momento, é a apresentação e acelerar o nível de conhecimento dele. Com maior visibilidade, ele deve aglutinar”, disse.
Na avaliação do marqueteiro, os levantamentos atuais não refletem o potencial real do governador goiano. “A taxa de desconhecimento de Caiado hoje leva o atual placar eleitoral a uma situação completamente artificial”, afirmou.
Exemplos reforçam aposta na estratégia
Para sustentar a tese, Vasconcelos citou campanhas recentes em que candidatos pouco conhecidos cresceram ao longo da disputa após maior exposição. Ele mencionou o caso de Fuad Noman, em Belo Horizonte, que começou a corrida eleitoral em posição desfavorável e avançou com a divulgação de realizações de sua gestão.
Outro exemplo foi o do governador Cláudio Castro, eleito em 2022 no Rio de Janeiro, mesmo enfrentando adversários com maior presença digital, como Marcelo Freixo. “Mostramos as entregas e Castro venceu”, pontuou.
Estratégia prevê mudança de fase ao longo da campanha
De acordo com Vasconcelos, o foco inicial será consolidar a imagem de Caiado junto ao eleitorado. O debate mais amplo sobre propostas e futuro do país deve ocorrer em um segundo momento da campanha. “Mais à frente, vai ter discussão com a sociedade, de espelho para o futuro”, concluiu.
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