O governador Ronaldo Caiado (PSD), e o ex-ministro Gilberto Kassab, presidente do PSD, estão reunidos na manhã desta terça-feira (24), em São Paulo, um dia depois que a desistência de Ratinho Júnior, governador do Paraná, ampliar o favoritismo do goiano no partido. A expectativa é que Caiado saia do encontro com a confirmação de que vai representar a legenda na disputa pela Presidência em outubro.
O momento é decisivo para a definição da candidatura presidencial do partido, restando Caiado, na estrada há mais de um ano articulando uma pré-candidatura – primeiro pelo UB e agora no PSD -, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Leite até reiterou o desejo de ser presidenciável após o anúncio do colega e é visto como um centro-direita “mais leve” que Caiado, mas seu nome tem apelo eleitoral nas pesquisas inferior ao de Caiado e ele enfrenta fragilidades políticas em seu estado que o goiano nem de longe encara – ao contrário, tem como aliados mais de 200 prefeitos.
Ratinho Júnior comunicou na segunda (23) que desistiu de concorrer ao Palácio do Planalto para cumprir até o fim seu mandato como governador do Paraná. Caiado embarcou logo cedo nesta terça para São Paulo onde estava com Kassab por volta das 9h00, segundo sua assessoria confirmou ao Diário de Goiás.
Ele ainda não falou publicamente sobre o recuo de Ratinho, mas passou a ser considerado favorito para representar o PSD na disputa contra o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por integrantes da sigla.
A expectativa é que o governador goiano se pronuncie após a reunião com Kassab. A revista IstoÉ lembrou nota de Kassab informando que o partido anunciará sua escolha até o fim de março. O PSD “se mantém firme na decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República” e pretende se contrapor à “polarização de propostas radicais” representada por Lula e Flávio, disse Kassab.
Caiado se tornou favorito
A revista também lembrou que, até a decisão de concluir seu segundo mandato no governo do Paraná, Ratinho era o pessedista que melhor pontuava nas pesquisas para a Presidência da República. Em Datafolha divulgado no início de março, registrou 7% das intenções de voto para o cargo, enquanto os colegas de sigla chegaram ao máximo de 4% (Caiado) e 3% (Leite).
Entretanto, o cenário local pesou na decisão de Ratinho. As dificuldades para a definição de um sucessor — Guto Silva (PSD), secretário das Cidades, é o favorito, e o ex-prefeito Rafael Greca migrou ao MDB para concorrer — e a filiação do senador Sergio Moro ao PL para disputar o cargo que dará palanque a Flávio Bolsonaro no Paraná, se tornaram ameaça real ao poder do grupo político do governador paranaense.
Ratinho era o favorito de Kassab para ser o presidenciável do partido. Kassab vinha afirmando que o critério ‘desenvoltura nas pesquisas’ teria grande peso, o que sinalizava a favor de Ratinho. Na segunda-feira, aliados de Kassab afirmaram que o dirigente foi pego de surpresa pela decisão.
Com Ratinho fora do páreo, Caiado se fortaleceu porque, apesar das pesquisas não serem o indicador favorável a ele, ao contrário do paranaense, ele tem um cenário eleitoral mais confortável no próprio estado — com o vice-governador Daniel Vilela (MDB) favorito à sucessão –, enquanto Leite também enfrenta dificuldades para manter seu grupo no poder no Rio Grande do Sul. Extraoficialmente, a informação é que ele avalia a possibilidade de concorrer ao Senado.
“Além disso, o fato de Caiado disputar a última eleição de sua carreira é visto como um ativo. A avaliação é de, em caso de derrota, a candidatura teria menos implicações após a eleição, ou seja, mantendo a liberdade característica do PSD de negociar com qualquer campo que ocupe o governo”, analisa a revista.
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