16 de julho de 2026
Política • atualizado em 08/07/2026 às 15:24

Caiado diz que voto em Flávio Bolsonaro favorece reeleição de Lula e critica pedido sobre tarifa dos EUA

Ronaldo Caiado criticou Flávio Bolsonaro por defender o adiamento da tarifa dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que sua candidatura favoreceria a reeleição de Lula
Pré-candidato do PSD afirmou que senador do PL cria um "falso positivo" ao defender adiamento do tarifaço americano. Foto: Reprodução/Redes Sociais.
Pré-candidato do PSD afirmou que senador do PL cria um "falso positivo" ao defender adiamento do tarifaço americano. Foto: Reprodução/Redes Sociais.

O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, elevou o tom das críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e afirmou que uma eventual candidatura do parlamentar ao Palácio do Planalto favoreceria a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

As declarações foram feitas nesta quarta-feira (8), após participação no evento Agenda dos Presidenciáveis, promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em Brasília.

Segundo Caiado, o atual cenário eleitoral indica que uma candidatura de Flávio Bolsonaro fragmentaria a oposição e beneficiaria o presidente da República.

“Diante do cenário atual, muitos não querem confessar, mas se você votar no Flávio vai reeleger o Lula. A verdade é essa. A candidatura dele está sendo construída como a que o PT deseja”.

Conduta moral será fator decisivo, diz presidenciável

Durante a entrevista, Caiado afirmou que a eleição presidencial deverá ser definida não apenas pela viabilidade eleitoral dos candidatos, mas também pela avaliação do eleitorado sobre a trajetória ética de cada concorrente.

Na avaliação do ex-governador, a capacidade de enfrentar Lula em um eventual segundo turno dependerá, entre outros fatores, da imagem construída ao longo da vida pública.

“Agora, o que temos que analisar é como vai ser o candidato aprovado no primeiro turno. Se ele tem a condição de bater o Lula, sendo que o grande divisor de águas vai ser a conduta moral de envolvimento com corrupção”.

Críticas ao pedido de adiamento do tarifaço

Caiado também criticou a atuação de Flávio Bolsonaro durante a audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, que debate a proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

O senador participou da audiência após encaminhar às autoridades americanas um documento de 86 páginas defendendo que a eventual aplicação das tarifas fosse adiada para depois das eleições brasileiras.

Para Caiado, o posicionamento é prejudicial ao país e não pode ser condicionado ao calendário eleitoral.

“Temos falhas de um candidato, e todo respeito a ele, do Flávio, em se colocar em uma sessão nos EUA e dizer que adie a tributação para depois da eleição. É inaceitável isso. Você tem que estar dentro do jogo para saber o peso disso para o país”.

“Falso positivo” para a população

Ao comentar novamente o tema, Caiado afirmou que não compreende a estratégia adotada pelo senador e classificou a proposta como um “falso positivo” para os brasileiros.

Segundo o pré-candidato, a preocupação deve ser evitar a taxação sobre os produtos nacionais de forma permanente, e não apenas durante o período eleitoral.

“Não sei a linha de raciocínio de Flávio Bolsonaro. Sou 100% contra e a nossa preocupação é o Brasil como um todo, não um período eleitoral. Nós não podemos criar um falso positivo para a população, ou seja: não seremos tributados até a eleição? Depois aceitaremos? Não!”.

Tarifa dos EUA segue em discussão

A audiência realizada pelo USTR integra a investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos sobre práticas comerciais brasileiras e antecede uma decisão sobre a proposta de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil.

O governo norte-americano deve anunciar sua decisão nos próximos dias, após ouvir representantes do setor produtivo e autoridades brasileiras durante as consultas públicas realizadas em Washington.


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