O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou nesta semana a postura do governo federal e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em publicação na rede social X, Caiado afirmou que as medidas internacionais colocam em risco o agronegócio nacional e acusou ambos os lados de não apresentarem soluções efetivas para o setor.
Segundo Caiado, o tarifaço anunciado pelo presidente norte-americano Donald Trump representa um duro golpe para a produção agropecuária brasileira. “O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil”, escreveu o pré-candidato.
Críticas ao governo federal
Na publicação, Caiado também citou outras barreiras comerciais enfrentadas pelo agronegócio brasileiro nos últimos meses, como a tarifa de 55% aplicada pela China sobre determinados produtos e o veto da União Europeia à compra de carnes brasileiras.
Para o ex-governador, diante desses episódios, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria adotado apenas medidas paliativas.
“Zero resposta do governo, só cuidados paliativos diante dos ataques ao agro”, afirmou.
O pré-candidato defendeu uma postura mais firme do Brasil nas negociações comerciais internacionais para proteger o setor produtivo.
Ataque a Flávio Bolsonaro
Além das críticas ao governo federal, Caiado direcionou ataques ao senador Flávio Bolsonaro, também pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Segundo Caiado, Flávio não teria solicitado aos Estados Unidos a retirada definitiva das tarifas, mas apenas o adiamento da medida.
“Para ele, o agro pode quebrar, desde que depois do voto”, escreveu.
A declaração faz referência à divulgação de informações de que o senador teria defendido o adiamento da entrada em vigor das tarifas até após o período eleitoral.
Documento prevê suspensão e negociação
O documento encaminhado por Flávio Bolsonaro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), entretanto, propõe uma solução mais ampla.
No texto, o senador solicita a suspensão da implementação das tarifas previstas para entrar em vigor em julho de 2026 e defende a abertura imediata de negociações entre os dois países após esse período.
A proposta prevê que as tratativas ocorram depois das eleições brasileiras, buscando uma solução diplomática para a disputa comercial.
Agronegócio enfrenta barreiras comerciais
Além das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, o agronegócio brasileiro enfrenta outras restrições no mercado internacional.
Em dezembro de 2025, a China anunciou a aplicação de uma tarifa de 55% sobre determinados produtos importados, medida que passou a valer em janeiro deste ano. Segundo o governo chinês, a decisão foi tomada após investigação que concluiu que as importações estariam prejudicando a indústria local.
Já a União Europeia oficializou, em junho, a suspensão das importações de carnes brasileiras e de outros produtos de origem animal, como peixe, mel e ovos. A justificativa é a falta de comprovação de que o Brasil restringe o uso de determinados antimicrobianos e antibióticos na criação de animais. A medida passa a valer em setembro de 2026.
As críticas de Caiado ocorrem em meio ao aumento da tensão comercial envolvendo o Brasil e importantes parceiros internacionais, tema que deve ganhar espaço no debate eleitoral nos próximos meses.
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