05 de outubro de 2026
STF

Caiado chama julgamento do STF de “escárnio” e “briga de facção”

Candidato à Presidência criticou condução da sessão de terça-feira e defendeu atuação mais forte do Senado diante da crise na Corte
Ronaldo Caiado criticou a sessão do STF realizada na terça-feira (15) e cobrou atuação do Senado. Foto: Valter Camargo/Agência Brasil.
Ronaldo Caiado criticou a sessão do STF realizada na terça-feira (15) e cobrou atuação do Senado. Foto: Valter Camargo/Agência Brasil.

O candidato à Ronaldo Caiado (PSD) classificou como “escárnio” e “briga de facção” a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira (15), que discutiu a tramitação de processos relacionados aos e André Mendonça no caso Banco Master. A declaração foi dada nesta quinta-feira (17), durante sabatina da Novabrasil.

Ao comentar a percepção da população diante da crise interna da Corte, Caiado afirmou que o episódio provoca um “sentimento de luto” e criticou os embates entre os ministros durante a sessão.

“O que nós vimos ali é um escárnio, ou seja, é uma briga de facção”, afirmou o candidato.

A sessão analisou uma questão de ordem apresentada pelo ministro para que a Petição 16.662, relacionada a Alexandre de Moraes, fosse analisada conjuntamente com a Petição 16.704, que envolve questionamentos sobre a atuação de André Mendonça no caso Banco Master. O placar chegou a 4 votos a 3 pela tramitação separada dos casos, antes de o ministro Flávio Dino pedir vista e suspender a análise.

Crítica à condução de Fachin

Durante a sabatina, Caiado direcionou parte das críticas ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Para o candidato, Fachin não deveria ter acolhido a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes.

“O Fachin, naquele momento como presidente, ele não podia ter aceitado nenhuma questão de ordem. Pelo regimento, você rejeita a questão de ordem, vem pra se votar o pleno, a matéria pautada. E como tal, teria autorização da investigação do Alexandre Moraes”, afirmou.

A avaliação, porém, se refere à interpretação de Caiado sobre o regimento e a condução da sessão. O próprio STF informou que a discussão daquele dia estava restrita à questão sobre a tramitação conjunta das duas petições, e que o mérito das acusações não foi analisado.

Segundo o Supremo, a Petição 16.662 tem origem em relatório produzido pela Polícia Federal a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade desse relatório. Já a Petição 16.704 foi aberta a partir de informações apresentadas por Alexandre de Moraes e envolve questionamentos sobre a condução do caso por Mendonça.

“Processo que enojou o Brasil”

Caiado também criticou o comportamento dos integrantes da Corte durante o julgamento e afirmou que os ministros estariam tentando justificar suas posições diante da repercussão do caso.

“Quer dizer, isso são os ministros tentando se explicar diante de um processo que enojou o Brasil pelo fato de autoridade, de pudor, da liturgia do cargo, do decoro do cargo”, declarou.

A sessão de terça-feira foi marcada por divergências entre os ministros, inclusive com discussões sobre vazamentos de informações, atuação da Polícia Federal e possível influência político-eleitoral no processo. O STF, por sua vez, destacou que o julgamento não examinou a responsabilidade penal dos envolvidos.

O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a análise. Com isso, a definição sobre a tramitação dos casos permanece pendente. Nesta quinta-feira (17), Fachin também adiou a sessão que estava prevista para analisar questões relacionadas à atuação de Mendonça, sem estabelecer uma nova data.

Caiado cobra atuação do Senado

Além das críticas ao STF, Caiado defendeu uma atuação mais forte do diante da crise envolvendo a Corte. O candidato afirmou que os senadores deveriam avançar em um encaminhamento relacionado a pedidos de impeachment de ministros do Supremo.

Para Caiado, os conflitos expostos durante o julgamento comprometeram a unidade institucional do tribunal.

“O Supremo quebrou como se quebra um ovo. Não tem como você reunir aquilo. Fragmentou o Supremo. Virou uma guerra entre um lado e outro e que não tem costura”, afirmou.

As declarações integram o posicionamento político de Caiado durante a campanha presidencial. O candidato tem utilizado a crise envolvendo o STF e o caso Banco Master como tema de suas manifestações públicas, defendendo mudanças na relação entre os Poderes e uma atuação mais incisiva do Senado.


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