08 de agosto de 2026
MOU FIRMADO

Caiado assina acordo com os EUA para exploração de minerais críticos

Partes assinaram Memorando de Entendimento. Governador vê Estado na vanguarda da nova geopolítica dos recursos estratégicos
Caiado assina MOU com governo americano sobre minerais críticos. (Foto: Lucas Diener)
Caiado assina MOU com governo americano sobre minerais críticos. (Foto: Lucas Diener)

O governador Ronaldo Caiado (PSD) assinou, nesta quarta-feira (18), em São Paulo, um Memorando de Entendimento (MOU) com o governo dos Estados Unidos sobre minerais críticos. O objetivo, segundo o governo goiano, é ampliar a colaboração entre os dois entes em pesquisa, capacitação e na construção de um ambiente regulatório transparente e competitivo. Do lado americano, a assinatura foi de Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil.

“Esse acordo, do ponto de vista geoeconômico, é o mais importante que nós já assinamos em toda a história de Goiás. Um marco na geoeconomia que demonstra a capacidade e a riqueza mineral do nosso estado”, afirmou Caiado.

Segundo Caiado, a intenção é estimular parcerias entre instituições governamentais, acadêmicas e do setor privado, além de apoiar o desenvolvimento do processamento e da manufatura de maior valor agregado em Goiás.

“Ao invés de ser apenas um exportador de minério bruto, como Pará e Minas Gerais, estamos pegando as terras raras e evoluindo a tecnologia, que hoje quem tem são os chineses, junto com os japoneses. Uma técnica que os americanos têm e que nós ainda temos numa fase muito rudimentar. Vamos poder avançar e produzir também junto com a universidade, com a área de pesquisa, para podermos ter a separação e a utilização desses minerais que são fundamentais. Desenvolver uma tecnologia que não temos e que é fundamental no mundo em que vivemos”, salientou o governador.

Segundo Caiado, o convênio permitirá ao estado “avançar na pesquisa e na ciência, naquilo que trará ao estado a capacidade de ser uma referência geoeconômica”, além de “deslanchar do ponto de vista da qualidade de vida das pessoas, da renda per capita e sempre tendo em vista a nossa convivência harmônica e de governabilidade com o governo americano”.

Detalhes

A cooperação abrange cinco eixos. O primeiro é o mapeamento do potencial mineral goiano, com assistência técnica, pesquisa conjunta e desenvolvimento tecnológico compartilhado entre agências dos dois países. O segundo trata da construção de um mercado aberto e transparente de minerais críticos, com facilitação de investimentos, conexão com fornecedores norte-americanos de equipamentos e tecnologia de mineração e intercâmbio de melhores práticas em governança mineral e levantamento geológico.

O terceiro eixo volta-se ao ambiente regulatório, com o compromisso de apoiar a competitividade das políticas minerais brasileiras por meio de transparência e consistência normativa, de forma a atrair capital dos Estados Unidos. Já o quarto envolve capacitação institucional e científica, promovendo vínculos entre setores governamentais, acadêmicos e empresariais para o compartilhamento de pesquisas e inovações tecnológicas.

O quinto eixo é o mais ambicioso: a promoção da instalação, em Goiás, de capacidades completas de processamento e fabricação de valor agregado, incluindo separação de terras raras, metalização, produção de ligas e fabricação de ímãs permanentes de neodímio (NdFeB). Caso concretizado, esse objetivo poderá alterar significativamente a posição de Goiás e do Brasil na cadeia global, transferindo para o território nacional etapas industriais hoje concentradas em poucos países.

O memorando prevê a negociação de incentivos fiscais e financeiros para projetos que demonstrem compromisso com produção local, geração de empregos e transferência de tecnologia. A base legal é a Lei de Minerais Críticos de Goiás (Lei nº 23.597/2025), que criou dois instrumentos centrais: as Zonas Especiais de Minerais Críticos (ZEMCs), áreas com tratamento regulatório diferenciado, e o Fundo de Desenvolvimento de Minerais Críticos (FEDMC), mecanismo de captação e alocação de recursos para fortalecer a cadeia de valor regional.

Os incentivos podem incluir reduções ou isenções de impostos estaduais, e procedimentos administrativos simplificados podem ser concedidos a projetos com compromissos concretos de investimento, sempre condicionados ao cumprimento das salvaguardas ambientais e sociais.

O acordo se insere em um dos movimentos geoeconômicos mais significativos da década. A disputa global por cadeias de suprimento seguras de minerais críticos — essenciais para a transição energética, a indústria de semicondutores, o setor de defesa e a fabricação de tecnologias avançadas — tem levado os Estados Unidos a diversificar suas fontes de abastecimento. O Brasil, detentor de reservas expressivas de terras raras, nióbio, lítio e outros minerais estratégicos, ocupa posição central nessa reconfiguração. Goiás, com reservas relevantes, posiciona-se como um dos estados mais estratégicos nesse cenário.

“A relação entre Estados Unidos e Brasil sempre foi boa, mas temos uma parceria com o Estado de Goiás que é muito importante. Ela abrirá ainda mais portas para exploração, desenvolvimento e investimentos”, ressaltou Gabriel Escobar. “É mais cooperação científica e econômica, como destacou o governador. Agradeço não somente pela cooperação, mas também pela visão estratégica”, saudou o representante do governo norte americano.

Goiás abriga atualmente a única exploração comercial de terras raras em operação no país, com a mineradora Serra Verde, em Minaçu, que é financiada pelo governo americano. Caiado destacou ainda a aprovação da Lei nº 23.597/2025, que estabelece uma estrutura de governança e incentivos para o desenvolvimento da indústria de minerais estratégicos no estado. Além de Minaçu, a iniciativa fortalece operações em Nova Roma e Iporá.

No Norte goiano, a Serra Verde produz em escala comercial metais como disprósio, térbio, neodímio e praseodímio. Em Nova Roma, o investimento no processamento de argilas iônicas deve alcançar R$ 2,8 bilhões e gerar 5,7 mil empregos. Já em Iporá, estão previstos investimentos privados de R$ 550 milhões para a prospecção de 52 milhões de toneladas de terras raras.

Com 22 milhões de toneladas passíveis de extração, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de óxidos de terras raras (OTR), concentrada em Goiás e Minas Gerais. O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, destacou a importância das parcerias existentes e afirmou que o estado segue aberto a novos acordos com empresas especializadas.

“Desde a época do descobrimento, o Brasil exporta suas riquezas naturais sem agregação de valor. Pela primeira vez, temos um acordo que permitirá implementar toda a cadeia de valor dos minerais críticos, desde a tecnologia e a pesquisa”, observou Adriano. “No caso das terras raras, poderemos produzir aqui um ímã permanente pronto para uso, abastecendo indústrias de defesa e automotivas no mundo inteiro”.


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