O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, apresentou nesta terça-feira (18) o plano de governo para a área da saúde. Divulgado na sede nacional do partido, em São Paulo, o documento propõe uma reorganização do Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em prevenção, integração digital, uso de Inteligência Artificial (IA), redução de filas e fortalecimento da produção brasileira de medicamentos, vacinas e outras tecnologias em saúde.
Durante a apresentação, Caiado defendeu que o avanço tecnológico pode contribuir para reduzir custos e ampliar a eficiência da rede pública. Médico, o candidato afirmou que a integração entre indústria, universidades, pesquisadores e novas ferramentas tecnológicas deve fazer parte de uma estratégia nacional para a saúde.
“Nós temos a condição de avançar no nosso parque industrial para compreender que as indústrias, as universidades, os pesquisadores e o avanço da inteligência artificial devem avançar para produzir uma saúde mais barata, com a eficiência e a tecnologia de dados que temos hoje”, afirmou.
Uma das propostas apresentadas é a utilização de informações genômicas no atendimento médico. Segundo Caiado, o chamado prontuário genômico poderia contribuir para identificar precocemente pessoas com predisposição a determinadas doenças.
“Identificar onde atuar precocemente em casos de predisposição ao câncer de mama, câncer de colo de útero ou em avanços relacionados ao autismo”, citou o candidato.
UBS conectadas a hospitais
Entre as principais diretrizes do plano está a integração das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com hospitais de referência. A proposta estabelece como objetivo que cada UBS esteja conectada a um hospital localizado a, no máximo, uma hora de distância.
A ideia, segundo Caiado, é utilizar ferramentas de inteligência artificial para organizar a regulação e o encaminhamento de pacientes, substituindo mecanismos manuais de controle de vagas hospitalares.
“Recorrerei aos governadores e prefeitos para engajarmos uma campanha nacional de interligação da rede de saúde. Com as tecnologias de inteligência artificial disponíveis hoje, essa integração é perfeitamente viável”, afirmou.
O plano também propõe mudar a lógica de organização das filas do SUS. Em vez de considerar apenas a ordem de chegada dos pacientes, a proposta prevê uma classificação baseada no risco clínico, com prioridade para os casos de maior gravidade.
A diretriz apresentada pelo candidato busca ainda substituir o atendimento predominantemente reativo por uma rede orientada à prevenção, com informações compartilhadas entre os diferentes níveis de atendimento.
Plano prevê ações nos primeiros 100 dias
O documento apresentado pela chapa de Caiado e Gilberto Kassab prevê uma agenda específica para os primeiros 100 dias de eventual governo. Entre as medidas está a criação do Comitê Nacional das Missões de Saúde 2027–2030, além do início de um censo nacional das filas consideradas estratégicas.
Também está prevista a elaboração de um mapa dos chamados vazios assistenciais, identificando regiões com déficit de atendimento em especialidades consideradas críticas.
Outra proposta é a criação de um grupo permanente reunindo representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e do Ministério da Saúde. A intenção seria coordenar decisões relacionadas à incorporação de tecnologias de alto impacto na rede pública.
A execução do programa foi dividida em quatro etapas: diagnóstico operacional em 2027; implantação prioritária entre 2027 e 2028; expansão e correção de desigualdades em 2029; e avaliação nacional independente em 2030, com divulgação dos resultados.
Metas estabelecidas até 2030
O plano reúne 15 ações e 21 metas nacionais com prazo até 2030. Entre os compromissos apresentados estão a redução de pelo menos 50% no tempo mediano das filas prioritárias nas regiões com maior espera, tomando 2027 como referência, e a implantação de prioridade clínica e rastreabilidade pública em todas as filas estratégicas.
Na atenção primária, a proposta estabelece como meta uma redução de 20% nas internações por condições sensíveis ao atendimento básico, além de equipar todas as equipes de Saúde da Família com ferramentas de teleconsultoria e estratificação de risco.
O documento também prevê metas para doenças cardiovasculares, saúde materna, vacinação, oncologia, atendimento à população idosa e emergência médica.
Para pacientes com suspeita de câncer, o programa propõe um sistema digital de acompanhamento, chamado de “relógio assistencial”, com monitoramento dos prazos previstos na legislação. A meta estabelecida é realizar a investigação diagnóstica em até 30 dias e iniciar o primeiro tratamento em até 60 dias após a confirmação do diagnóstico.
Na vacinação, o objetivo é alcançar cobertura de pelo menos 95% nas imunizações prioritárias para as quais essa meta seja tecnicamente indicada.
Saúde mental e população indígena
O plano também apresenta propostas específicas para saúde mental. A intenção é ampliar o papel da Atenção Primária na prevenção e manter os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) direcionados aos casos de maior complexidade.
A meta estabelecida é que, até 2030, todas as regiões tenham a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) organizada.
Para a saúde indígena, a proposta prevê o fortalecimento dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), ampliação da conectividade em pontos estratégicos e criação de fluxos de regulação rastreáveis entre aldeias, municípios e hospitais de referência.
Produção nacional de medicamentos e vacinas
Outro eixo do programa é o que a campanha chama de soberania sanitária. A proposta prevê a criação de uma Aliança Nacional de Ciência e Produção em Saúde, reunindo universidades, hospitais universitários, Fiocruz, Instituto Butantan, laboratórios farmacêuticos públicos e empresas privadas.
A iniciativa teria como objetivo ampliar a produção nacional de vacinas, imunobiológicos, biossimilares e medicamentos de alto custo, reduzindo a dependência de produtos importados.
O plano ainda estabelece como metas a digitalização progressiva do histórico clínico dos cidadãos e a integração de hospitais estratégicos do SUS a sistemas digitais de gestão e avaliação de desempenho.
O programa de saúde foi elaborado pela chapa Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, com participação do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Caiado, de 76 anos, é médico formado e mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização em cirurgia da coluna vertebral realizada em Paris.
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